Usinas paulistas recebem créditos de carbono

Três usinas canavieiras paulistas receberam hoje a certificação pela produção voluntária de energia renovável, proveniente da co-geração do bagaço de cana. Com isso, as usinas Alta Mogiana, Moema e Cia. Energética Santa Elisa, localizadas no interior de São Paulo, estão aptas a obter créditos financeiros por evitar a emissão de carbono (CO2), principal causa do aumento do efeito estufa, que está provocando o aquecimento do planeta. Esses créditos de carbono deverão ser comercializados no mercado internacional com base no Protocolo de Kyoto, que, mesmo não estando ainda em vigor, já começa a gerar negócios.A certificação foi concedida pela TÜV Suddeutschland, empresa alemã credenciada pela Organização das Nações Unidas para dar validação a projetos de crédito de carbono, vinculados ao Protocolo. Os três projetos têm capacidade de seqüestrar 1 milhão e 200 mil toneladas de carbono nos próximos sete anos. Isto acontecerá porque estarão comercializando energia elétrica de fonte renovável (proveniente do bagaço de cana), que evitará o uso de energia produzida em termelétricas a gás natural (combustível fóssil, portanto não renovável).?A Santa Elisa é auto-suficiente em energia há 60 anos e desde 1994 tem contrato para colocar o excedente na rede de energia com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em sistema de co-geração. Os créditos de carbono serão computados somente na expansão dessa capacidade instalada?, explica Maurílio Biagi Filho, presidente da usina. Essa ampliação faz parte do objetivo da empresa de ter entre 10% e 15% de seu faturamento como energia, o que vai depender do mercado energético brasileiro. A comercialização dos créditos de carbono funcionam como um incentivo à esse tipo de investimento.Esses créditos, segundo Marcelo Diniz Junqueira, da Econergy Brasil, empresa de consultoria que deverá comercializar os créditos das três usinas, o preço da tonelada de carbono atualmente é baixo, cerca de US$ 5, conforme referência do Banco Mundial, mas este valor pode aumentar com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto e outras legislações ambientais. ?Estamos falando em mudar a matriz energética mundial e procurar estancar a queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) e o Protocolo é um dos mecanismos para induzir o processo?, diz.Luiz Eduardo Junqueira Figueiredo, diretor administrativo da Alta Mogiana diz que a empresa investiu R$ 15 milhões na co-geração e tem contrato de dez anos, a partir de 2002, com a CPFL para fornecimento de 10 megawatts/hora de energia. ?Nossa previsão é recuperar o investimento em cinco anos e que a venda de energia represente até 5% do faturamento. Mas a expansão depende de termos comprador para a energia?.

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