Uso de antiretrovirais reduz morte por câncer, diz pesquisa

O uso de antiretrovirais, medicamentos usados para controlar a disseminação do vírus HIV no organismo, pode elevar significativamente a sobrevida de doentes de Aids que desenvolvem câncer, indica um estudo feito por pesquisadores do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A pesquisa, que vai ser apresentada amanhã durante um congresso científico promovido pelo hospital, demonstra que soropositivos tratados com novos antiretrovirais, descobertos a partir de 1996, vivem, em média, um ano e nove meses (635 dias), a contar do diagnóstico de câncer. Já entre os pacientes que não são submetidos à referida terapia, foi registrada uma sobrevida de pouco mais de quatro meses (135 dias)."O uso do coquetel, formado por três medicamentos inibidores da protease e da transcriptase reversa, aumentou significamente a sobrevida do paciente com câncer", disse ontem a coordenadora do estudo, Dirce Bonfim de Lima. Segundo ela, isso se deve ao fato de que os antiretrovirais atuam reduzindo a carga viral, atrasando os danos que o vírus pode provocar no sistema imunológico do paciente.Os inibidores da transcriptase reversa são administrados para impedir que o vírus consiga transformar o seu código genético de RNA em DNA, operação necessária para se multiplicar dentro das células. Já os inibidores da protease têm como função, como o próprio nome diz, bloquear a protease, um dos componentes do HIV, impedindo que as novas cópias do vírus infectem novas células. O estudo, explica Dirce, foi realizado para revisar os casos de câncer associados à Aids acompanhados no Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Pedro Ernesto. Dos 87 pacientes analisados, 80 são do sexo masculino e 7, do feminino, ambos em idade variando entre 20 e 65 anos. Do total, 60% recebia o tratamento com antiretroviral e o restante não o fez por motivos como a inexistência dos referidos medicamentos, que surgiram apenas na segunda metade da década de 1990, ou a impossibilidade do acesso.Entre os homens, o tipo de neoplasia mais comum foi o sarcoma de Kaposi, câncer que se origina nos vasos sanguíneos, geralmente na pele, e que atingiu 64 dos 80 soropositivos acompanhados, ou seja, 80% do total. O Linfoma Não-Hodgkin, que surge nos gânglios do sistema linfático, veio em segundo lugar, com 7 pacientes (8,75%). O resultado foi o mesmo entre o sexo feminino, embora os porcentuais tenham sido diversos: 43% para o sarcoma e 43% para o linfoma.Segundo a coordenadora da pesquisa, não houve diferença estatística entre o número de células CD4 e o tipo de câncer. A média geral do número de CD4 foi de 305 por mililitro de sangue.

Agencia Estado,

23 de agosto de 2004 | 19h53

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