Uso de aqüíferos deve se intensificar

Apesar do grande potencial, os aqüíferos ainda são pouco conhecidos, principalmente pelas pessoas que têm o poder de decisão sobre sua utilização. Essa tendência, no entanto, está mudando, na opinião do presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), Ernani Francisco da Rosa Filho, para quem a importância das águas subterrâneas para o abastecimento público tende a aumentar no país.Discutir o potencial dos aqüíferos como principal alternativa para o problema de escassez e poluição da água é o objetivo do XII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, que terá início hoje, em Florianópolis, Santa Catarina. O destaque do encontro, que acontece até sexta-feira, será o Aqüífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo, com extensão de aproximadamente 1,2 milhões de quilômetros quadrados, divididos entre Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.?O Guarani é especial por ter um potencial de abastecimento público muito grande. Suas águas, de modo geral, são de ótima qualidade e pode-se extrair vazões bastante elevadas?, diz Rosa Filho. A porção brasileira, que corresponde a maior parte de sua área (840 mil Km2) integra o território de oito estados: Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso.Segundo o presidente da ABAS, no entanto, o potencial desse estoque de águas, guardado entre as rochas, não se resume ao Aqüífero Guarani. ?O aqüífero brasileiro de onde se extrai mais água é o da Serra Geral, na bacia do Paraná, que fica acima e sobreposto ao Guarani. É o que possui o maior número de poços perfurados na bacia sedimentar do Paraná e abastece grandes cidades no interior de São Paulo, Paraná e Santa Catarina?.O principal município abastecido pelo Guarani, atualmente, é Ribeirão Preto, em São Paulo, com cerca de 400 mil habitantes. Além destes, são importantes mananciais nas regiões Sul e Sudeste os aqüíferos do grupo Bauru, no interior de São Paulo, e Caiuá, que abastece várias cidades na região noroeste do Paraná e no Mato Grosso do Sul. ?São aqüíferos localizados numa camada acima do Serra Geral, menores em áreas, mas de grande importância?, diz Rosa Filho.AvançoConforme o presidente da ABAS, o crescimento do uso e do conhecimento sobre as águas subterrâneas tem avançado muito nos últimos 15 anos no País. Atualmente, 8 milhões de pessoas no Paraná (dos 11 milhões de habitantes do Estado) são abastecidos por aqüíferos. ?A vantagem é que essa água tem um custo de 20% da água superficial, pois só precisa de tratamento por conta da distribuição. Na Europa, 75% da população é abastecida com águas subterrâneas.Rosa Filho explica que, no Brasil, esse percentual é de 51%, segundo o Censo de 2000, mas parte desse valor refere-se a poços rasos, que tiram água do lençol freático. ?É preciso diferenciar, pois o lençol freático está contaminado nas grandes cidades e as pessoas que consomem essa água estão ficando doentes?.Segundo o especialista, a maior preocupação com os aqüíferos brasileiros atualmente é o controle de vazão. ?Para se explorar, é preciso saber o quanto entra e o quanto sai de água. A responsabilidade desse controle é dos estados, que precisam estabelecer limites e controlar a outorga da água. Embora o volume das águas subterrâneas brasileiras seja fantástico e o consumo ainda seja muito inferior à produção, existem áreas com poços profundos muito próximos, onde há sobreexplotação, como em alguns bairros de Recife, Curitiba e São Paulo?.Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), onde o problema de abastecimento tende a se agravar, o uso das águas subterrâneas está próximo do limite. ?Em RMSP se extrai 5 m3/s de águas subterrâneas, quantidade próxima à demanda de uma capital como Curitiba, e as condições geológicas não são favoráveis, pois essa região não tem grandes aqüíferos. Mesmo assim, ainda é uma boa alternativa, desde que controlada, para indústrias, condomínios e hospitais?, diz.Para o presidente da ABAS, as áreas contaminadas dos grandes aqüíferos brasileiros ainda são pequenas e isoladas, o que não dispensa medidas de prevenção. ?Essa disponibilidade, porém, não dispensa a continuidade dos trabalhados para recuperar a qualidade dos rios. Água nenhuma pode ser desperdiçada?.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2002 | 15h14

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