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Uso de maconha por jovens nos EUA reduz após legalização para fins medicinais

Estudo realizado pela Universidade Colúmbia revela queda do consumo por adolescentes americanos na faixa entre 13 e 14 anos

Marília Marasciulo, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2015 | 05h01

SÃO PAULO - O consumo de maconha por adolescentes americanos entre 13 e 14 anos diminuiu após a legalização da droga para fins medicinais no país, revelou um estudo da Universidade Colúmbia divulgado nesta terça-feira, 16. A pesquisa analisou 24 anos de dados, entre 1991 e 2014, de mais de 1 milhão de jovens americanos nos 48 Estados contíguos. 

A queda no consumo dos adolescentes da oitava série foi de dois pontos porcentuais em uma média que considerou todos os Estados. Montana, que legalizou a maconha para fins medicinais em 2004, foi onde houve a maior diminuição. O Oregon, que recentemente legalizou o uso recreativo da droga, também teve queda considerável. O único Estado que apresentou aumento no uso foi o Arizona.

Desde 1996, 23 Estados americanos e o Distrito de Colúmbia aprovaram leis que permitem o uso de maconha para tratamentos médicos, o que levantou dúvidas sobre o impacto da medida nos jovens.

A pesquisa mostrou que, embora o consumo de maconha nos últimos 30 dias tenha sido mais frequente nos Estados que permitem o uso medicinal, o número de adolescentes que consumiu a droga não aumentou após a introdução das leis. Os resultados foram os mesmos quando outros fatores que influenciam o uso de maconha foram levados em conta, como idade, etnia, formação escolar e sexo.

A redução no consumo de adolescentes mais jovens foi vista com surpresa pelos autores do estudo. Uma explicação possível, segundo eles, seria a de que os jovens ainda não têm uma opinião completamente formada sobre a maconha. Assim, a probabilidade de enxergar a droga como algo recreacional diminui quando o Estado autoriza o uso para fins medicinais.

“Compreender os fatores que de fato levam adolescentes a consumir maconha deve ser uma prioridade em pesquisas, considerando os efeitos prejudiciais que o uso pode ter quando iniciado muito cedo”, disse uma das autoras do estudo, a professora de epidemiologia Deborah Hasin, da Escola de Medicina de Colúmbia, em nota. 

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