USP obtém patente sobre chocolate de cupuaçu

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) obtiveram patente sobre uma tecnologia para fabricação de alimentos de chocolate à base do cupuaçu, em lugar do cacau. Seis produtos já foram desenvolvidos: três chocolates e três achocolatados em pó.Segundo a pesquisadora Suzana Lannes, responsável pelo projeto, trata-se de um aprimoramento do cupulate, o chocolate de cupuaçu patenteado há quase dez anos pela Embrapa, mas nunca comercializado."O cupulate é um produto ainda rústico, que precisa de modificações para ser levado ao mercado", explica a cientista, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. "Ele derrete muito fácil; não resiste ao calor."Mais consistênciaA nova tecnologia altera as propriedades de fusão da parte gordurosa do cupuaçu, dando mais consistência ao produto. A partir daí foram produzidos os três tipos de chocolate - ao leite, branco e meio amargo - e achocolatados - tradicional, dietético e enriquecido com cálcio.Juridicamente, porém, o produto não pode ser chamado de chocolate (porque não leva cacau) nem de cupulate (nome já registrado pela Embrapa). A nova patente refere-se simplesmente ao "processo de formulação de produtos alimentícios à base de cupuaçu".ReceitaA receita é a mesma do chocolate, só que com cupuaçu em vez de cacau. O sabor e o aroma são quase idênticos, diz Suzana, mas o fruto da Amazônia traz a vantagem de ser um produto nativo brasileiro, com custo de produção muito reduzido."É um bom negócio para o Brasil", diz a pesquisadora. "O País tem cacau, mas não tem tecnologia sobre o chocolate."Símbolo anti-piratariaO cupuaçu, que é um parente amazônico do cacau, virou símbolo da luta contra biopirataria no País depois que teve seu nome registrado como marca pela Asahi Foods, do Japão.A mesma empresa também tinha patente sobre a fabricação de chocolate de cupuaçu, supostamente copiada da Embrapa. Ambas foram derrubadas na Justiça japonesa, mas ainda vigoram na Europa.

Agencia Estado,

13 de abril de 2004 | 11h08

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