USP pesquisa câncer em bebês de proveta

Crianças que nascem graças a técnicas de fertilização assistida podem ter um risco maior de desenvolver câncer do que as demais. Levantamento feito pelo Instituto da Criança da Universidade de São Paulo (USP) detectou um risco quase três vezes maior de casos da doença entre crianças concebidas pela fertilização in vitro."São dados preliminares, mas são muito importantes", afirma o chefe da unidade pediátrica do Instituto da Criança e coordenador da oncologia pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, Vicente Odone Filho. Por causa dos resultados, Odone Filho entrou em contato com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.A intenção é fazer uma pesquisa detalhada com crianças nascidas entre 1996 e 2000, mesmo período do levantamento feito pelo Instituto da Criança, para ter números mais precisos. Outro estudo, que em breve deverá ser iniciado, vai acompanhar ao longo de três anos crianças fruto da fertilização in vitro."Primeiro temos de comprovar que o risco de fato existe para depois, descobrir as causas", diz Odone Filho. Os dados foram publicados na edição de junho-julho do Journal of Pediatyric Hematology Oncology. Há cerca de um mês, o New England Journal of Medicine trouxe um estudo que detectou risco duas vezes maior de problemas congênitos em crianças concebidas por técnicas de fertilização assistida.Outro trabalho, feito na Suécia entre 1982 e 1995, detectou um risco 4% maior de má formação entre crianças desse grupo, principalmente problemas no tubo neural, estrutura que dá origem ao sistema nervoso. "E entre os casos encontrados no Instituto da Criança, há o neuroblastoma, um câncer com origem no sistema nervoso autônomo."De 1990 até hoje, sete crianças concebidas por fertilização in vitro chegaram ao Instituto da Criança com câncer. Quatro delas entre 1996 e 2000. "O número pode parecer pequeno, mas não é." Estima-se que entre 1996 e 2000 tenham nascido duas mil crianças graças à fertilização assistida."Em população normal, para ter 4 casos seriam necessárias 6.808 crianças." Ele diz ainda que os números não levam em conta outros hospitais. "Certamente esse número é maior, outros centros também devem ter recebido crianças com esse perfil."Odone diz que os dados não devem fazer com que pais se alarmem ou casais desistam de recorrer à técnica. "Queremos estudar mais o assunto para, se necessário, tornar a indicação da técnica mais restrita ou os métodos mais seguros." Ele diz que não é preciso que os pais aumentem os cuidados. "Consultas rotineiras bastam."

Agencia Estado,

11 de julho de 2002 | 20h30

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