Vacina contra a Aids vai demorar, afirma cientista

"A vacina contra a Aids ainda demorará muitos anos", afirmou na sexta-feira o cientista francês Luc Montagnier, um dos descobridores do vírus HIV, juntamente com o americano Robert Gallo. Por isso, Montagnier aconselhou, principalmente aos jovens, que reforcem as medidas preventivas."Muitos pensam que a vacina é uma palavra mágica e é a melhor solução. Mas também há outros enfoques muito úteis à espera desta vacina, que pode demorar ainda muitos anos, já que os jovens não têm a prevenção de 10 ou 15 anos atrás", disse Montagnier numa entrevista a uma rádio da Cidade do México.Montagnier, médico francês que começou como pesquisador em virologia em 1967, pediu às autoridades do mundo que aumentem os recursos financeiros para a pesquisa desta doença, bem como a difusão de medidas que evitem o contágio. Especialistas em aids avaliam que o desenvolvimento de uma vacina contra a doença pode demorar pelo menos nove anos. Prevenção - "A população tem de estar consciente que existe o vírus da Aids. Tem de ter muito cuidado com seus parceiros. Se puder ser fiel, que seja, se não, que use preservativos e meios de higiene genital. É preciso lutar para que a aids não seja esquecida, já que ela não vai nos esquecer", advertiu.Relatórios médicos apontam que atualmente não existe um tratamento que cure as pessoas infectadas pelo vírus HIV. Assinalam, no entanto, que um organismo internacional, com sede nos EUA, realiza experimentos com uma vacina preventiva, que pode reduzir os efeitos em pacientes contaminados, dependendo do grau de avanço da doença.Segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), os países que têm a maior número de pessoas infectadas com o vírus da Aids são Brasil, Tailândia, Senegal, Índia e África do Sul. Por isso, as investigações sobre o assunto tiveram enfoque nestas nações.Montagnier disse que se preocupa mais com o problema no continente africano, "porque nesses países as pessoas morrem muito jovens por falta de recursos, carência de médicos e de laboratórios para medir o avanço dos tratamentos". Ele acrescentou que também há mortes por questões culturais, que impedem saber a real proporção do problema. Projeto Milênio - De acordo com o relatório Combatendo a Aids no mundo em desenvolvimento, da Força-tarefa sobre HIV/Aids, Malária, Tuberculose e Acesso a Medicamentos Essenciais do Projeto Milênio das Nações Unidas, "a pandemia da AIDS permanecerá uma catástrofe global e se intensificará rapidamente em novas regiões, a não ser que líderes mundiais aumentem drasticamente o suporte a abordagens comprovadas de prevenção e tratamento, e se comprometam com objetivos claros para dominar a doença até 2015". . No ano passado, segundo o estudo, a Aids matou 3 milhões de pessoas - mais de 8.000 por dia, e a doença hoje infecta 39 milhões, das quais 25 milhões vivem na África Subsaariana. "Além disso, a epidemia deixou órfãs 15 milhões de crianças, e agora ameaça explodir na Rússia e outras parte da ex-União Soviética, Índia, China e Sudeste Asiático."

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