Vacina feita de vírus faz 57% deixarem de fumar

Uma vacina feita com a proteína de um vírus foi usada com sucesso em fumantes e fez com que 57% deles conseguissem deixar de fumar. O medicamento cria anticorpos que atacam a nicotina e impedem que ela atinja o cérebro, onde produz a sensação de prazer que cativa os fumantes.A proteína é retirada de um bacteriófago, tipo de vírus que ataca bactérias, e modificada para provocar uma resposta de anticorpos à nicotina. O experimento foi conduzido pela empresa suíça Cytos Biotechnology e os resultados foram apresentados num encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, na Flórida, neste fim de semana.Jornais europeus relatam que os testes foram feitos com 341 fumantes de 18 a 70 anos de idade que estavam consumindo de dez a 40 cigarros ao dia nos últimos três anos, pelo menos. Segundo o The Times, dois terços receberam cinco doses da vacina, em quantidades variadas, por quatro meses, enquanto o resto recebeu placebo.AnticorposDurante o período, os pesquisadores constataram que os fumantes que receberam vacina desenvolveram anticorpos, em níveis também variados. Um mês depois do início do teste, eles foram orientados a tentar deixar de fumar.Os 57% que conseguiram deixar o vício estavam entre os que haviam desenvolvido mais anticorpos à nicotina. O estudo constatou que eles não fumaram por pelo menos 16 semanas depois que lhes foi solicitado parar de fumar.Mas 31% dos que receberam placebo também conseguiram parar de fumar. Para os cientistas, isso mostra que a decisão pessoal e a orientação, associadas a um tratamento efetivo, têm peso enorme no sucesso contra o fumo.Em 2008A companhia suíça informou que fará testes em níveis mais avançados até 2007. Se os resultados forem satisfatórios, em 2008 a vacina poderá ser aprovada pelas autoridades de saúde e ser colocada no mercado.Wolfgang Renner, CEO da Cytos, disse ao The Times estar convencido de que as defesas do próprio corpo podem ser usadas contra o vício de fumar. ?A clara relação entre os níveis de anticorpos e os efeitos clínicos sustentam nossa decisão de desenvolver esta vacina", afirmou. "Podemos usar o sistema imunológico para lidar também com problemas tão complexos quanto o vício."Segundo os pesquisadores, a vacina causou alguns efeitos colaterais nos pacientes, incluindo sintomas de gripe. Mas Renner garante que estas reações desapareceram no dia seguinte ao da aplicação das injeções.

Agencia Estado,

16 de maio de 2005 | 12h03

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