Vacina protege bebês e crianças contra malária, diz estudo

Medicamento experimental protegeu até 65% das crianças da infecção em testes feitos na África

Maggie Fox, Reuters

08 de dezembro de 2008 | 15h11

Uma vacina experimental contra malária protegeu até 65% das crianças da infecção em dois estudos feitos na África, relataram pesquisadores nesta segunda-feira, 8. Os testes desenvolvidos separadamente no Quênia e na Tanzânia mostraram que a vacina da GlaxoSmithKline's chamada RTS,S pode proteger bebês e crianças pequenas da infecção pela malária e evitar a doença mesmo nas crianças já infectadas. Embora a vacina esteja longe da perfeição, é a melhor até agora contra o parasita transmitido por um mosquito, concordaram os pesquisadores. Eles disseram que começariam os testes clínicos da fase III, o último estágio antes de buscar aprovação para sua regulamentação, no ano que vem. "Mesmo uma vacina parcialmente eficaz tem o potencial para salvar centenas de milhares de vidas todos os anos", disse Christian Loucq, diretor da PATH Malaria Vaccine Initiative, organização sem fins lucrativos que ajudou a conduzir o estudo. "Estamos mais perto do dia em que a malária fará parte das doenças como varíola e pólio, que foram ou erradicadas ou controladas por meio de vacinas", disse Loucq. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que malária tenha matado 881 mil pessoas e infectado 247 milhões em todo o mundo em 2006. Alguns especialistas na doença afirmam que os números subestimam o problema. A doença é especialmente difícil de combater, pois as pessoas são infectadas várias vezes pelos mosquitos ao longo da vida. Os minúsculos parasitas entram no sangue, vivem e se reproduzem dentro do corpo, causando febre e, às vezes, infecções cerebrais letais. Salim Abdulla, médico do Centro de Treinamento e Pesquisa Bagamoyo, na Tanzânia, e seus colegas fizeram o teste com 340 crianças, ministrando a elas três doses da vacina RTS,S ou três doses da vacina da hepatite B. A vacina da malária protegeu 65% das crianças da infecção pela malária durante os seis meses de ensaio. "Acreditamos muito que a eficácia da vacina se estenda por vários anos", disse Joe Cohen, da GlaxoSmithKline Biologicals da Bélgica, durante um comunicado. Um estudo anterior havia mostrado que a vacina poderia proteger crianças por ao menos 18 meses. Em um segundo ensaio, o médico Ally Olutu, do Centro de Pesquisa Colaborativa KEMRI-Wellcome Trust, do Quênia, e seus colegas vacinaram 894 crianças entre 5 e 17 meses com três doses de uma formulação um pouco diferente da vacina contra a malária ou de uma vacina contra a raiva. Os episódios clínicos de malária relatados caíram até 53%.

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