Valores de cortes e de emissões somem das negociações em Bali

No segundo dia da reunião sobre aquecimento global na Indonésia, promessas concretas são adiadas para 2009

Cristina Amorim,

04 de dezembro de 2007 | 15h21

A União Européia é tradicionalmente uma importante força que movimenta as negociações mudanças climáticas. Antes da 13ª Conferência do Clima (COP-13) começar, o bloco falou a todos os ventos que chegaria na reunião com uma posição bastante clara: o compromisso de reduzir suas emissões em 20%, até 2020, em relação ao índice de 1990. Além disso, que faria mais, 30%, se outras nações em desenvolvimento também se comprometessem.   Pois, em apenas dois dias de reunião, os números praticamente sumiram da boca dos delegados europeus.   Ninguém, aliás, fala em números na COP-13: nem de corte de emissões, nem de concentração máxima de CO2 na atmosfera. Apenas um número aparece: "Isso, só em 2009."   ***   A Conferência do Clima em Kyoto, quando o protocolo de mesmo nome foi criado, acaba de completar dez anos. O Japão, que sediou tal reunião, recebeu um presente inusitado: o prêmio Fóssil do Dia, dado a um grupo de ONGs aos "países que bloqueiam o progresso das negociações sobre mudanças climáticas".   A delegação japonesa recebeu o primeiro e o segundo lugares e ainda dividiu o terceiro com os Estados Unidos (campeão eterno) e do Canadá. A sugestão é a de que o Japão fala em "avançar Kyoto", mas necas em detalhar esse avanço com sugestões sobre prazos e taxas de corte.   Te cuida, União Européia.  ***  A COP-13 está espalhada entre alguns hotéis de luxo da região de Nusa Dua, em Bali. Para facilitar o deslocamento dos participantes, a organização coloca à disposição pequenos ônibus, com saídas periódicas, e bicicletas.   Andar de duas rodas seria uma boa solução para os "verdes" de plantão, exceto por alguns pontos:    Chove bem (e de repente) em Bali nesta época do ano;    As bicicletas só estão disponíveis até 18h, ou seja, depois disso o participante tem de engolir a consciência verde e pegar um táxi que emite CO2;    Faz calor, muito calor, na cidade. E digamos que negociar qualquer coisa com a camisa molhada de suor não é exatamente desejável para ninguém aqui, seja interlocutor, ouvinte ou observador.   Sim, a realidade venceu a utopia.

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