Vapor de água faz crer em vida atual em Marte

A Agência Espacial Européia (ESA) juntou nas duas últimas semanas dados importantes sobre a existência de água - e vida - em Marte atualmente, e não apenas num passado remoto. Com equipamentos sofisticados a bordo da sonda Mars Express, os cientistas constataram a presença da vapor de água numa camada da atmosfera entre 10 km e 15 km da superfície.E outro estudo mostra que há razões fortes para que Marte ainda esteja perdendo água. O planeta é varrido constantemente por ventos solares, numa intensidade que explicaria o fato de um oceano inteiro ter desaparecido nos últimos 3,8 bilhões de anos.Água e metanoA análise dos dados coletados pelo espectrômetro planetário (PFS) mostram que o vapor d´água se concentra, em densidade três vezes maior, em três grandes regiões equatoriais: Arábia Terra, Elysium Planum e Arcadia-Memnonia. E mais: nestes mesmos lugares há concentração de metano.Um comunicado da ESA sobre estas descobertas afirma que a presença de vapor de água e metano exatamente nos mesmos pontos do planeta poderia ser "mais um indício" da existência de alguma forma de vida em Marte. "Estes dados nos fazem compreender melhor os processos atmosféricos de Marte e abrem novas pistas sobre a existência de uma vida atual no planeta vermelho."EvaporaçãoAinda que Marte tenha alguma fonte de água hoje, seria difícil manter algum rio ou lago na superfície. A bordo da Mars Express, o espectrômetro de plasma Aspera-3, constatou que a interação do vento solar - fluxo de elétrons e partículas alfa modificados, emitidos pelo Sol - com a atmosfera marciana produz um intenso processo de evaporação.O vento solar entra através da ionosfera marciana a uma altitude de 270 km, segundo os cientistas da ESA, e teria sido fator determinante na evaporação de grandes quantidades de água. Fotografias feitas pela sonda indicam que Marte teve um oceano no hemisfério norte.RobôsA Nasa está prestes a divulgar novas informações de Marte enviadas pelos robôs Spirit e Opportunity. Os dois equipamentos ficaram em repouso por um período de 12 dias, em setembro, quando o Sol esteve justamente entre a Terra e Marte, prejudicando a transmissão de dados.O Spirit, que está na região da Cratera Gusev, perto de Columbia Hills, e o Opportunity, no Meridiani Planum, chegaram ao planeta em janeiro para uma missão de três meses. Mas não há sinais de que eles tenham esgotado suas capacidades, apesar de terem se passado oito meses de atividade.O Opportunity é o que tem um desafio maior: depois de entrar no fundo da Cratera Endurance, a equipe da Nasa tenta agora dirigi-lo por uma possível saída pelo lado sul da enorme depressão.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2004 | 15h26

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.