Vaso sanitário vira artigo de propaganda ecológica e ganha apelo econômico

Um artigo sem nenhum glamour para a maioria dos mortais está no centro das atenções da indústria e varejo de material de construção. O vaso sanitário virou artigo de propaganda ecológica e promete mexer com as vendas do setor dentro de poucos meses. Um acordo com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano (Sedu) e uma parceria entre fabricantes e prefeituras, ainda em estudo, têm como objetivo incentivar a substituição dos modelos tradicionais por outros que economizam água.A maioria das casas brasileiras possui hoje o vaso tradicional, que exige de 30 a 40 litros de água para a higienização do equipamento. Com a escassez do recurso natural, a indústria trabalhou um modelo para reduzir o consumo de água. Já há vasos que completam uma descarga com seis litros, ou seja, representam uma economia considerável para uma residência ou espaço comercial.Para se ter uma idéia, estudos sobre o assunto apontam que, numa casa onde residem quatro pessoas, a descarga é acionada 16 vezes por dia, o que significa um consumo mínimo de 480 litros por dia e 14,4 mil ao mês (14,4 m³). Com um equipamento novo, esse consumo cairia para 96 litros diários, ou 2,88 mil litros mensais (2,88 m³).O alívio poderá ser sentido na conta, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Ao considerar um custo de R$ 3,20 por m³ cobrado em São Paulo pela Sabesp, o valor da conta de água de uma casa com vaso tradicional (14,4 m³) é de R$ 46. Com a nova louça sanitária, o custo cai para R$ 9,22.De fábricaO acordo setorial da cadeia em consenso com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, da Presidência da República, acertou que a partir deste ano só sairão de fábrica vasos com a nova tecnologia que garante o uso racional da água.Agora, a Anamaco estuda um meio de estimular a troca do vaso principalmente em cidades onde a quantidade do recurso natural é crítica. Seriam campanhas junto a prefeituras que detêm o controle das empresas de saneamento, como é o caso de Diadema, na Grande São Paulo. Ao todo, seriam 1,5 mil prefeituras.A entidade estima que o País tenha 50 milhões de imóveis que poderiam fazer a troca, o que tende a acontecer gradativamente. Segundo o presidente da Anamaco, Cláudio Conz, um projeto de transição das bacias pode acontecer ao longo de dez anos. A indústria estuda inclusive meios de estabelecer um acordo de entrega da bacia antiga no ponto-de-venda, para garantir a reciclagem do produto. Os principais fabricantes desse setor são a Roca (com as marcas marcas Celite, Incepa e Logaz), a Deca, a Ideal Standard, a Icasa e a Hervy. Juntas, detêm 95% do mercado e produzem cerca de 700 mil vasos por mês.Pelo mundoA idéia de troca não é original do Brasil. Países como México e Estados Unidos já trabalharam campanhas de troca de vasos que incluíram incentivos fiscais para os consumidores que exerceram o upgrade do "trono" no início da década de 90.Segundo Conz, da Anamaco, uma série de empresas no País já realizaram a troca, com retorno rápido do investimento. Ele cita o caso da rede hoteleira Ibis, que fez a troca de 360 bacias recentemente. A economia de água teria garantido o retorno do investimento num período de dois meses.Leia mais sobre Construção no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

Agencia Estado,

13 de junho de 2002 | 12h49

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