Vaticano apresenta 'Opera Omnia' de Bento XVI em alemão

Livro é a coletânea com toda a obra do pontífice; a Livraria Vaticana publicará a coletânea nos demais idiomas

Efe

22 de outubro de 2008 | 17h01

O Vaticano apresentou nesta quarta-feira, 22, o primeiro volume em alemão da Opera Omnia (coletânea com toda a obra) do papa Bento XVI, "uma obra teológica que sem dúvida está entre as mais importantes dos séculos XX e XXI", afirmou o bispo de Regensburg, na Alemanha, Gerhard Ludwig Müller. Müller, que apresentou a obra, disse que Bento XVI é um "dos grandes teólogos que ocuparam a poltrona de Pedro (ocupada pelos papas)" e que ao longo de sua atividade acadêmica como professor de Teologia Fundamental e Dogmática elaborou "com autonomia um dos mais importantes estudos teológicos dos séculos XX e XXI". Ratzinger lecionou nas universidades de Frisinga, Bonn, Munster, Tübingen e Regensburg. Nesta última, foi professor desde 1969 até 1977, quando foi nomeado arcebispo de Munique. Bento XVI é ligado a Regensburg também por motivos familiares. Seus pais - Josef e Maria - e sua irmã Maria estão enterrados ali e ele tem uma casa no bairro de Pentling. Durante sua viagem à Baviera, em 2006, o papa visitou a universidade de Regensburg e ali deu a famosa aula magna, na qual falava de Maomé, considerada "ofensiva" pelo mundo islâmico e que suscitou ira dos muçulmanos. O motivo foi a citação que fez do diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo e um erudito persa, no qual o líder dizia que "Maomé não tinha trazido nada novo, exceto a ordem de estender a fé pela espada", pôs em pé de guerra o mundo muçulmano. O bispo de Regensburg disse que essa aula magna "marcou um momento mágico na história universitária não só alemã" e que na mesma o papa ressaltou mais uma vez a "íntima conexão entre fé e razão". O bispo Müller manifestou que Regensburg recolherá e tutelará toda a obra de Ratzinger e que esta cidade será a sede do Instituto Bento XVI. Müller precisou que o papa lhe encarregou pessoalmente a publicação da coleção de escritos. A Opera Omnia se compõe de 16 tomos. Começa com a tese de licenciatura de Joseph Ratzinger sobre "A doutrina agostiniana da Igreja" e com outros escritos sobre o santo que mais lhe marcou. O segundo tomo recolhe os escritos do pontífice sobre São Boaventura. O terceiro, partindo da conferência que Ratzinger deu em Bonn em 1959 sobre "O Deus da fé e o Deus dos filósofos", inclui todos os textos sobre fé e razão e suas reflexões sobre os fundamentos históricos-ideais da Europa. O quarto tomo parte da Introdução ao Cristianismo (1968) e reúne outros sobre fé, batismo e conversão. O quinto ao décimo segundo contém textos sobre teologia sistemática. O quinto reúne os textos sobre a Doutrina da Criação, Antropologia e Doutrina da Graça; o sexto parte do livro Jesus de Nazaré e recolhe todos os estudos de argumento cristão. O sétimo inclui textos da fase preparatória do Concílio Vaticano II e o oitavo, sobre ecumenismo e outros escritos eclesiásticos. O nono recolhe os textos de Ratzinger em matéria de Gnose Teológica e Hermenêutica, assim como seus estudos sobre Escrituras, Revelação e Tradição. O décimo tomo é aberto com "Escatologia" (1977), único manual dogmático teológico de Ratzinger até agora publicado. O décimo primeiro inclui a Teologia da Liturgia e o décimo segundo recolhe textos sobre os sacramentos e serviço espiritual. O décimo terceiro recolhe as numerosas entrevistas de Joseph Ratzinger; o décimo quarto, as homilias. O décimo quinto parte da autobiografia "Minha vida" e inclui outros textos de caráter biográfico e o último, uma bibliografia completa das obras do papa em idioma alemão. A Opera Omnia será publicada na Alemanha pela editora Herder Verlag. A Livraria Vaticana, que tem direito exclusivo sobre as obras papais, publicará a coletânea nos demais idiomas.  Capítulo Quando era cardeal, o papa Bento XVI pensou em eliminar um polêmico capítulo de seu livro O espírito da liturgia, de 2000, em que defendia a celebração de missas de costas para os fiéis, mas resolveu mantê-lo e estudos posteriores "demonstraram que era correta a idéia de base". Assim contou o próprio pontífice na introdução do primeiro volume de sua Opera Omnia. Em O espírito da liturgia o então cardeal Joseph Ratzinger tratava, entre outros temas, da orientação do altar e dizia que era melhor o sacerdote dar as costas aos fiéis do que ao altar, o que lhe rendeu inúmeras críticas. Bento XVI conta que diante da "distorção" criada sobre sua obra, "concentrada em nove páginas de um total das 200 do livro" e com o objetivo de que emergisse "seu autêntico tema", chegou a pensar em várias ocasiões em tirar esse capítulo. No final, ressaltou o papa, estudos sucessivos ao livro (dos teólogos Lang e Heid) demonstraram "que as idéias de fundo eram corretas, ou seja que a idéia de que os sacerdotes e fiéis devam se olhar de frente durante as preces, surgido na etapa moderna é completamente estranho aos antigos cristãos". "O sacerdote e os fiéis não rezam um a outro, mas voltados ao Senhor", precisou o papa. Bento XVI acrescentou na introdução do livro que "por sorte" se aceita cada vez mais a proposta que fazia no capítulo da polêmica: "não mudar a disposição das igrejas, mas simplesmente colocar uma cruz no meio do altar, à qual olhem juntos sacerdotes e fiéis olhando ao Senhor". O papa vem justamente potencializando, em seu Pontificado, a colocação da cruz no centro do altar.

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