Vaticano beatifica religiosos espanhóis que apoiaram Franco

Cerimônia beatificou 498 católicos; críticos dizem que iniciativa excluiu os mortos do lado republicano

BBC,

28 de outubro de 2007 | 13h01

O Vaticano beatificou 498 católicos executados durante a Guerra Civil da Espanha, neste domingo, 28, na praça de São Pedro, na maior cerimônia do tipo já realizada. A maioria das vítimas - quase todas membros do clero - foi morta no início do conflito, em 1936, por milícias que lutavam pelo governo republicano. E foram considerados "mártires" pela Santa Sé. A iniciativa causou polêmica na Espanha, pois para muitos ela reconhece apenas vítimas de um dos lados do conflito, que dividiu profundamente o país. Dezenas de milhares de republicanos espanhóis foram mortos por forças nacionalistas durante a Guerra Civil, que durou três anos, e levou ao estabelecimento da ditadura de Francisco Franco. Mas o Vaticano disse que o ato não está ligado a "ressentimento", mas a "reconciliação". A Igreja Católica esteve muito próxima das forças direitistas do general Franco, que impôs quase 40 anos de ditadura no país.O governo espanhol foi representado na cerimônia de domingo pelo ministro do Exterior, Miguel Ángel Moratinos.  O primeiro-ministro Rodríguez Zapatero recusou o convite do Vaticano. Seu avô, o capitão Lozano, foi fuzilado durante a Guerra Civil por se negar a apoiar o golpe militar.  Segundo estimativas, cerca de 500 mil pessoas morreram durante o conflito e 450 mil foram exiladas. Francisco Franco, que iniciou o golpe militar em 1936, morreu em 1975. Texto atualizado às 17h59

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