Vaticano defende arcebispo após aborto em vítima de pedofilia

D. José Cardoso Sobrinho excomungou médicos e família da criança de 9 anos, que foi estuprada pelo padrasto

Redação com Efe

07 de março de 2009 | 08h35

O presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, o cardeal Giovanni Battista Re, considera "justa" a excomunhão dos médicos que praticaram legalmente um aborto de uma menina de 9 anos grávida de gêmeos após ter sido violentada pelo padrasto. Veja também: Médicos agiram dentro da lei em caso de aborto, diz Secretaria Jornais do mundo falam sobre caso de excomunhão e aborto Lula critica excomunhão de médicos por aborto em menina  Igreja excomunga envolvidos em aborto de menina estuprada  Equipe médica excomungada diz que não está arrependida  Entenda o que dizem o Direito Canônico e o Código Penal  Opine: qual ética o médico deve seguir nestes casos?   "É um caso penoso, mas o verdadeiro problema é que os dois gêmeos concebidos eram pessoas inocentes, tinham direito de viver", afirma o cardeal em declarações publicadas hoje pelo jornal italiano "La Stampa"."A Igreja (Católica) sempre defendeu a vida e tem que seguir fazendo isso sem se adaptar às correntes da época ou à oportunidade política", completou o cardeal Re ao jornal italiano.O chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, Gianfranco Grieco, acredita que a Igreja não pode "trair" sua postura como a de defender a vida até seu fim natural, mesmo que seja um "drama humano como a violência sobre uma menina".A interrupção voluntária da gravidez "sempre representa o assassinato de uma vida inocente e, para o código do direito canônico, quem pratica ou colabora diretamente com o aborto cai na excomunhão", acrescenta.A menina de 9 anos abortou na quarta-feira passada em um hospital público de Recife (PE), um dia depois que o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, tentou convencer a mãe da menor a desistir da ideia. Segundo os médicos, a menina corria risco de vida se levasse a gravidez adiante por não ter os órgãos reprodutivos formados completamente. A lei brasileira permite o aborto em casos de estupro e quando a gestante corre risco de vida.O arcebispo anunciou pouco depois que os adultos que tiveram alguma participação no aborto incorreram em uma penalidade eclesiástica que é punida com a excomunhão. O arcebispo não excomungou o padrasto, que é suspeito de violentar a criança desde quando ela tinha seis anos de idade. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente", disse ontem o arcebispo ao jornal Hoje, da TV Globo.

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