Vaticano e universidade sunita condenam charges de Maomé

Comitê Conjunto para o Diálogo Inter-religioso, no Cairo, desaprova republicação de charges de 2005

Ansa

26 de fevereiro de 2008 | 18h30

O Vaticano e a Universidade Al-Azhar, instituição máxima do mundo muçulmano sunita, condenaram, em um encontro do Comitê Conjunto para o Diálogo Inter-religioso no Cairo, a nova publicação das caricaturas de Maomé, segundo a agência estatal egípcia Mena.   O vice-presidente de Al-Azhar, o presidente do Comitê, xeque Abdel-Fatah Allam, e a delegação da Santa Sé examinaram as formas de esclarecer conceitos equivocados sobre as religiões e divulgar seu valor social.   Por sua vez, o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, defendeu os meios de comunicação de seu país que voltaram a publicar uma controversa caricatura do profeta Maomé, afirmando que o objetivo não era ofender os muçulmanos.   "É importante explicar que, quando os meios voltaram a publicar esses desenhos, não era para ferir os sentimentos religiosos das pessoas, mas sim porque em um regime democrático onde a imprensa é livre é normal que se ilustrem os artigos", disse Rasmussen.   O premier atacou "círculos religiosos extremistas que tentar instrumentalizar" o caso em benefício próprio.   Dezessete jornais publicaram novamente, em 13 de fevereiro, a caricatura de Maomé, em nome da liberdade de expressão e sinal de solidariedade com o autor do desenho, Kurt Westgaard, que segundo a polícia sofreu uma tentativa frustrada de atentado.   Primeira publicação   A caricatura, que mostra Maomé com um turbante em forma de bomba e com um pavio aceso na cabeça, e foi publicada pela primeira vez em 2005 por um jornal de direita, provocou em 2006 uma onda de violentos protestos no mundo islâmico.   A republicação foi um protesto contra um plano para assassinar um dos cartunistas que originalmente publicaram os desenhos no jornal dinamarquês Jyllands-Posten.   A maioria dos muçulmanos considera as representações gráficas do profeta como ofensivas. Em nota divulgada há dois anos, no auge do problema, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, dizia que "a liberdade de imprensa deve ser sempre exercida de modo a respeitar plenamente as crenças religiosas e os pilares de todas as religiões".   Nos últimos dias, por causa da crise das caricaturas, parlamentares dinamarqueses cancelaram uma visita ao Irã, o governo egípcio protestou junto ao embaixador da Dinamarca no Cairo, e na Indonésia ativistas islâmicos fizeram uma manifestação em frente à embaixada do país nórdico.

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