Vaticano lamenta decisão anglicana de aceitar bispos mulheres

'Decisão significa afastamento da tradição apostólica mantida por todas as igrejas', disse representante católico

AP

08 de julho de 2008 | 17h08

A Igreja Anglicana deu mais um passo na direção de permitir que mulheres entrem para o episcopado, mas ainda está a alguns anos de distância da votação final sobre a questão que ameaça dividir a igreja.  O Sínodo Geral rejeitou os apelos de tradicionalistas pela manutenção da tradição masculina e, ao contrário, votou na segunda-feira, 7, o estabelecimento de um código para a prática do sacerdócio que deve acomodar todas as opiniões. O Reverendo Tom Wright, bispo de Durham, disse nesta terça-feira, 8, que a igreja não deveria ter votado. "Nós tivemos um debate na Casa dos Bispos em maio e chegamos ao mesmo tipo de confusão que tivemos na segunda", disse. "Nós deveríamos ter parados os debates. Era a hora errada." A votação causou consternação no Vaticano, que também fez objeções à permissão do sacerdócio para mulheres na igreja anglicana. "Tal decisão significa um afastamento da tradição apostólica mantida por todas as igrejas desde o primeiro milênio, e portanto é um obstáculo para a reconciliação entre a Igreja Católica e a Anglicana", disse o Cardeal Walter Kasper, chefe do Conselho Pontífice para a Promoção da Unidade Cristã.  A votação de segunda-feira, 7, autoriza um grupo a fazer um rascunho do Código, que vai ser votado no Sínodo Geral de fevereiro. Demais revisões que necessitem de votação ficarão para 2010. Então, a maioria das dioceses da Inglaterra teria que concordar em ter mulheres como bispos, o que levaria a um voto futuro para 2011 ou 2012.  O sínodo rejeitou formar uma terceira arquidiocese dentro da Igreja da Inglaterra que seria reservada a uma liderança exclusivamente masculina, assim como a proposta de "superbispos" homens que assumiriam as paróquias que não quisessem a participação de mulheres no sacerdócio.  A Igreja anglicana ordena mulheres como padres desde 1994, e hoje em dia quase metade daqueles em treinamento para o sacerdócio são mulheres.

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