Vaticano lança documento contra clonagem e células-tronco

Texto oficial sobre biotética da Santa Sé era esperado há tempos, e endurece as posições já conhecidas

PHILIP ULLELLA, REUTERS

12 de dezembro de 2008 | 12h52

O Vaticano disse nesta sexta-feira que a vida é sagrada em qualquer estágio de sua existência, e condenou a fertilização artificial, a pesquisa de células-tronco embrionárias, a clonagem humana e as pílulas anticoncepcionais.     Síntese oficial do documento, em português O documento sobre bioética do corpo doutrinal do Vaticano, aguardado há muito tempo, também afirma que a "pílula do dia seguinte", o DIU e os remédios que bloqueiam a ação dos hormônios necessária para manter um óvulo fertilizado no útero caem "no pecado do aborto" e são gravemente imorais. "Dignitas Personae (dignidade de uma pessoa), uma instrução sobre algumas questões bioéticas", é uma tentativa de atualizar a postura da Igreja diante dos recentes avanços na ciência e na medicina. O texto afirma que a vida humana merece respeito "desde os primeiros estágios de sua existência, (e) não pode nunca ser reduzida meramente a um conjunto de células." "Portanto, o embrião humano tem, desde o começo, a dignidade que cabe a uma pessoa", diz o documento da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele diz que a maioria das formas de fertilização artificial "precisa ser extinta" porque "substitui o ato conjugal... que é o único capaz verdadeiramente de uma procriação responsável." A Igreja condenou a fertilização in-vitro, dizendo que as técnicas "atuam como se o embrião humano fosse simplesmente uma massa de células para serem usadas, selecionadas e descartadas." O documento, altamente técnico, afirma que apenas a pesquisa com células-tronco adultas é moral, porque a pesquisa com células-tronco embrionárias envolve a destruição de embriões. O Vaticano critica ainda a "adoção de embriões", pela qual casais estéreis adotam embriões congelados durante o processo de fertilização in vitro e que acabam abandonados. O documento diz que a intenção é "elogiável", mas que o resultado oferece muitas questões médicas, legais e psicológicas.   O documento foi elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição, e que foi presidida pelo cardeal Joseph Ratzinger antes de se tornar o papa Bento XVI.   O texto mostra um pouco de flexibilidade ao afirmar que pais podem vacinar seus filhos, sem pecar, com vacinas feitas a partir de linhagens de células originadas em fetos abortados.    Mas o documento diz que os cientistas que trabalham com esse tipo de linhagem de célula têm uma responsabilidade maior, e estão moralmente obrigados a se afastar dos "aspectos malignos" do ato ilícito original - a destruição do feto ou embrião - mesmo se eles próprios ou as instituições onde trabalham não tenham tomado parte nisso.   No documento, o Vaticano também defendeu o direito de intervir nesses assuntos. "Há quem diga que o ensinamento moral da Igreja contém proibições demais. Na realidade, porém, esse ensinamento é baseado no reconhecimento e na promoção de todos os dons que o Criador presenteou ao homem: como a vida, o conhecimento, a liberdade e o amor."     (com Associated Press)

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