Vaticano muda de idéia e diz que papa não receberá dalai-lama

Porta-voz diz que o encontro, cogitado para ocorrer em dezembro, sequer chegou a ser anunciado oficialmente

REUTERS

26 de novembro de 2007 | 12h02

O Vaticano disse na segunda-feira, 26, que o papa Bento XVI não pretende encontrar-se com o dalai-lama no próximo mês, contrariando um anúncio anterior, que incomodou a China e levantou dúvidas sobre os esforços para melhorar as relações da Igreja Católica com o país asiático. Uma autoridade do Vaticano que não quis ter sua identidade revelada disse a repórteres, em outubro, que o papa se reuniria com o líder espiritual dos budistas tibetanos no dia 13 de dezembro. O dalai-lama é considerado um traidor pelo governo chinês, desde que liderou uma tentativa fracassada de golpe para libertar o Tibet do domínio da China. A China respondeu afirmando que o encontro poderia "ferir os sentimentos do povo chinês" e conclamou o pontífice a adotar medidas para mostrar que "é sincero quanto aos esforços para melhorar as relações" entre os dois. O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse na segunda-feira que "não há nenhuma audiência planejada" com o dalai-lama e acrescentou que nunca aconteceu um anúncio oficial sobre um encontro dos líderes católico e budista. O papa fez da melhoria das relações com a China uma das principais metas de seu papado e divulgou uma carta aberta de 55 páginas, em junho, afirmando que tentaria restabelecer as relações diplomáticas plenas com o governo chinês, interrompidas dois anos depois da vitória dos comunistas na revolução de 1949. Ainda assim, o Vaticano, tradicionalmente, abre as portas ao dalai-lama, mas nunca dá grande visibilidade a esses encontros. O papa Bento XVI realizou uma audiência "estritamente privativa" e "estritamente religiosa" com o dalai-lama no ano passado, mas omitiu o nome do líder budista da lista de pessoas recebidas naquele dia. O dalai-lama deve visitar a Itália no próximo mês, e os políticos italianos discutem a possibilidade de o religioso fazer um pronunciamento diante do Parlamento do país. (Por Philip Pullella)

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