Vaticano pede geração de políticos que siga doutrina da Igreja

Tarcisio Bertone criticou maquiavelismo e exaltou o trabalho político desempenhado por líderes católicos

Ansa,

19 Fevereiro 2010 | 19h16

O secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, defendeu o surgimento de uma nova geração de políticos, que aja de acordo com os preceitos da "doutrina social da Igreja Católica".

 

Ao discursar na cidade de Rimini, norte da Itália, o representante da Santa Sé ressaltou a necessidade de contar com políticos que assumam o empenho "de injetar boa e nova seiva na sociedade, orientando-a na direção das virtudes, com retidão e discernimento à luz do Evangelho".

 

"A política é chamada a se confrontar com a fragilidade do homem, a aprender com os erros do passado e do presente, mas cultivando sempre a responsabilidade", afirmou o cardeal.

 

Bertone citou o filósofo francês de orientação católica Jacques Maritain, para quem o maquiavelismo, "com sua própria causalidade, trabalha pela ruína e a bancarrota, como o veneno na seiva trabalha pela doença e a morte da árvore".

 

"É preciso superar o desinteresse dos jovens pela política", enfatizou o religioso, acrescentando que os novos políticos devem "conceber" sua atividade "como a arte do bem comum".

 

O secretário de Estado do Vaticano destacou as contribuições de dom Luigi Sturzo, sacerdote que dedicou sua vida à política, e Chiara Lubich, fundadora do Movimento Político pela Unidade, de orientação cristã.

 

Segundo Bertone, "a missão do católico está impregnada por ideias superiores, porque em tudo se reflete o divino". Caso contrário, ressaltou o religioso, "tudo se deturpa e a política se torna meio de enriquecimento".

 

Em seu discurso, o cardeal pediu ainda "uma política que emane da caridade em direção ao próximo e da inspiração do projeto de Deus sobre a vida e sobre a convivência humana".

 

Governo

 

As afirmações foram feitas por Bertone no momento em que alguns membros do governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi são acusados de corrupção.

 

O subsecretário de governo, Gianni Letta, e o chefe da Defesa Civil, Guido Bertolaso, foram envolvidos em um caso de supostas fraudes em licitações públicas.

 

As denúncias dizem respeito a concessões feitas a empresas para obras na cidade de La Maddalena, na Sardenha, que receberia a Cúpula do G8 realizada em julho de 2009. O evento acabou ocorrendo em L'Aquila, município que fora atingido por um terremoto em abril do mesmo ano.

 

Ontem, Berlusconi anunciou que pretende intensificar a luta contra a corrupção.

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