Vaticano quer combater 'cristianofobia'

Secretário do Vaticano para as Relações Exteriores defendeu o auxílio a cristãos iraquianos refugiados

Ansa

29 de agosto de 2008 | 14h02

O secretário do Vaticano para as Relações Exteriores, Dominique Mamberti, disse nesta sexta-feira, 29, que a "cristianofobia" deve ser combatida na Europa e no mundo "com a mesma determinação com a qual se combate o anti-semitismo e a 'islamofobia'".   Mamberti fez essa declaração durante a reunião anual do grupo católico Comunhão e Libertação e definiu a "cristianofobia" como fruto de "uma educação errada ou desinformação sobre os cristãos e sobre sua religião, especialmente através dos meios de comunicação, da intolerância e discriminação sofrida pelos cidadãos cristãos devido à legislação ou medidas administrativas relacionadas com as pessoas que professam outras religiões ou não seguem nenhuma, da violência e da perseguição."   O secretário recordou o recente conflito na Índia entre cristãos e hindus e o caso dos cristãos no Iraque, que antes de 2003 eram em torno de um milhão e agora metade deles já deixou o país, refugiando-se na Síria e na Jordânia.   "Os fatores das agressões são múltiplos: econômicos, mas também especificamente religiosos, ou seja, a violência provocada por motivo de fé", disse ele.   Mamberti defendeu a necessidade de colocar um fim a essa situação e assegurar uma "ajuda humanitária aos cristãos que se refugiaram nos territórios limítrofes e aos que estão desabrigados no país". "Além disso, deve-se regularizar o status dos que se encontram em vários estados europeus como imigrantes irregulares", completou.   Para o secretário, tal situação não se restringe ao Iraque: "Os cristãos são vítimas de preconceitos, estereótipos e intolerâncias, inclusive de caráter cultural também em outros países."   "O respeito à liberdade religiosa deve ser recíproco. Portanto, deve ser garantido na Europa às minorias não cristãs, e fora da Europa às minorias cristãs", disse Mamberti.   O secretário do Vaticano declarou seu desejo de "com um espírito construtivo, combater dois graves ataques à liberdade religiosa: o crescimento da religião da razão e a separação da religião e da vida pública."   "Uma laicidade saudável comporta a distinção entre religião e política, entre Igreja e Estado, sem que isso transforme Deus em uma hipótese privada ou exclua a religião e a comunidade eclesiástica da vida pública, principalmente devido à dimensão social da fé", disse o secretário, defendendo a necessidade de "reconhecer a dimensão pública da liberdade religiosa", que é "portadora de valores éticos capazes de fecundar a democracia e de fazer cultura".

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