Vaticano revela que papa vive há anos com marca-passo

Porta-voz da Santa Sé diz que papa não irá intervir na escolha de seu sucessor.

BBC Brasil, BBC

12 Fevereiro 2013 | 15h15

Um dia após o anúncio da renúncia do papa Bento 16, o Vaticano informou nesta terça-feira que o pontífice, de 85 anos, vive com um marca-passo há anos.

A declaração foi feita pelo porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, que reiterou, entretanto, que o líder máximo da Igreja Católica não está com nenhuma doença grave.

Lombardi acrescentou ainda que a última aparição pública de Bento 16 será em uma missa na Praça de São Pedro em 27 de fevereiro, um dia antes de ele deixar o posto no qual permaneceu durante os últimos sete anos.

Segundo o porta-voz, o pontífice também não terá nenhum papel na administração da Igreja Católica após sua saída do cargo, nem terá influência formal na escolha do seu sucessor.

Saúde debilitada

Segundo uma reportagem publicada pelo jornal italiano Il Sole 24, o papa se submeteu a uma cirurgia para substituir seu marca-passo há três meses. O aparelho que regula os batimentos cardíacos com estímulos elétricos.

Em sua coletiva no Vaticano, Lombardi confirmou que as baterias do aparelho foram trocadas na operação de rotina.

"Isso não influenciou de qualquer maneira a decisão (sobre a renúncia). Simplesmente, ele constatou que sua vitalidade estava diminuindo com o avanço da idade", afirmou Lombardi.

O irmão do pontífice, Georg Ratzinger, disse que o papa havia sido aconselhado por seu médico a não mais fazer viagens transatlânticas. Ele acrescentou ainda que Bento 16 estava pensando em renunciar há meses.

"Quando ele chegou aos 85 anos, ele sentiu que sua idade estava pesando e que gradativamente estava perdendo suas habilidades, o que o impedia de executar suas funções apropriadamente", afirmou Ratzinger à BBC de sua casa em Regensburg, na Alemanha.

Para o irmão do pontífice, a renúncia foi um "processo natural".

Páscoa

O Vaticano agora espera que um novo papa seja eleito antes da Páscoa.

Lombardi ressaltou que Bento 16 "não interferirá, sob qualquer hipótese" na eleição de seu sucessor, que será escolhido por 117 cardeais durante um conclave realizado na Capela Sistina, dentro do Vaticano, depois que Bento 16 deixar o pontificado.

Analistas dizem que os candidatos europeus são favoritos na disputa papal, incluindo o arcebispo de Milão, o italiano Angelo Scola, e o arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, um ex-aluno de Bento 16.

Mas outros fortes candidatos podem emergir da África e da América Latina, onde o número da população católica é alto. Entre os possíveis nomes que substituiriam o atual pontífice estão o cardeal Peter Turkson, de Gana, o cardeal Francis Arinze, da Nigéria, e o cardeal-arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer.

Deveres

Segundo Lombardi, o pontífice deve liderar uma missa na Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma para os católicos.

O último evento público do pontificado, porém, deve ser uma cerimônia na Praça de São Pedro no dia 27 de fevereiro, na qual ele deve se despedir dos fiéis.

Após esta celebração, de acordo com o Vaticano, Bento 16 irá à residência papal no vilarejo de Castel Gandolfo, perto de Roma, antes de partir rumo à clausura em um monastério reformado usado por freiras para "um período de orações e reflexão".

"Ele permanecerá em Roma e certamente terá alguns deveres. Além disso, ele continuará a estudar de maneira a ascender intelectual e teologicamente", disse o irmão do papa à BBC.

"Onde for preciso, ele estará disponível, mas ele não quer interferir nos assuntos de seu sucessor", disse ele.

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