Vaticano vai financiar pesquisas de células-tronco adultas

O cardeal Renato Martino disse que o Vaticano apoia o projeto porque ele não envolve células embrionárias

Associated Press

23 Abril 2010 | 14h36

O Vaticano financiará novas pesquisas sobre o uso de células-tronco adultas no tratamento de doenças intestinais e talvez outras, anunciaram autoridades.

 

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O projeto está numa fase preliminar e serão necessários anos antes que qualquer tratamento clínico esteja disponível, disseram as mesmas fontes.

 

O cardeal Renato Martino disse que o Vaticano apoia integralmente o projeto porque ele não envolve células embrionárias. Ele afirmou esperar que o Vaticano financie o projeto por meio do hospital que mantém em Roma, Bambin Gesu, mas a quantia exata ainda precisa ser definida em reuniões com a Escola de Medicina da Universidade de Maryland.

Um anúncio preliminar, feito pela universidade, dava conta de que o Vaticano já teria concordado em doar 2 milhões de euros, ou cerca de R$ 5 milhões, para a pesquisa.

 

A Igreja Católica se opõe à pesquisa sobre células-tronco embrionárias porque ela envolve a destruição de embriões. Em 2007, o papa Bento XVI disse que as pesquisas com células-tronco adultas respeitam a vida humana que, segundo a iGreja, tem início da concepção.

 

O Vaticano vem sendo criticado por sua oposição aos estudos com células embrionárias, mas a Igreja insiste que há alternativas cientificamente viáveis.

Mas, enquanto as células embrionárias são especialmente valorizadas por sua pluripotência - a capacidade de originar qualquer tecido do corpo - células adultas são menos maleáveis. Por isso, muitos cientistas dizem que o verdadeiro potencial terapêutico reside nas embrionárias.

 

Os pesquisadores envolvidos no projeto financiado pelo Vaticano dizem querer avaliar o potencial das células-tronco intestinais - um campo relativamente novo - para fins terapêuticos.

 

"Queremos colhê-las, queremos isolá-las, queremos fazer com que cresçam fora do corpo e ver se são pluripotentes", disse Alessio Fasano, o cientista que dirige o projeto.

 

As células-tronco intestinais são especialmente interessantes, disse Fasano, porque os intestinos as substituem a cada poucos dias e elas são bastante flexíveis. Além disso, a coleta pode ser feita por meio de um procedimento simples, como uma endoscopia.

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