Vazamento de rejeitos químicos atinge Baía de Sepetiba, no Rio

Moradores e pescadores da região de manguezais da Baía de Sepetiba torcem para que não volte a chover. O vazamento de um depósito em Itaguaí, na região metropolitana do Rio, na quarta-feira, liberou 600 mil litros de rejeitos químicos que atingiram a área. Apesar de ainda não haver uma análise sobre o grau de contaminação, as famílias que vivem da pesca já sofrem com a redução nas vendas.Os rejeitos estavam represados na área da fábrica de zinco Ingá, fechada em 1998, e contêm cádmio, material altamente tóxico, que contamina o pescado da região. O vazamento aconteceu devido às chuvas do fim de semana.Além de o nível da represa ter subido, a escavadeira da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), que construía o dique de contenção, foi deslocada para dragar os rios da Baixada Fluminense que haviam transbordado no fim de semana.Pedras e sacosO secretário de Meio Ambiente de Itaguaí, Vinícius Leandro, disse que a situação está controlada por enquanto, porque pedras e sacos de argila foram usados para elevar a altura dos diques. "Mas se chover, transborda de novo", avisou. "A capacidade do depósito é de 2,5 milhões de litros e a economia local, baseada na pesca, é prejudicada com os vazamentos."O problema do depósito de Itaguaí já chegou à Justiça Federal, que determinou que o Estado construa o dique de contenção e a União financie o tratamento da dos rejeitos, ao custo de R$ 2,5 milhões. Em outubro, a obra do dique foi iniciada, mas a prefeitura de Itaguaí garante já ter gasto R$ 400 mil no tratamento da água porque a União ainda não liberou o dinheiro.Com a chuva, a escavadeira da Serla foi levada para a Baixada, com a promessa da vinda de outra mais apropriada para o local. Mas o diretor da Serla, Ícaro Moreno Júnior, não deu prazo para a chegada do novo equipamento. Só prometeu que seria ainda esta semana.Segundo acidenteEsta é a segunda vez no ano que o Estado do Rio se vê às voltas com acidentes desse tipo. No início de abril, o vazamento de milhões de litros de produtos químicos de um reservatório da Indústria Cataguases de Papel, em Minas, provocou o maior desastre ambiental do Estado, pois contaminou as águas dos Rios Pombas e Paraíba do Sul.Cerca de 600 mil pessoas de oito municípios fluminenses ficaram vários dias sem água e os pescadores foram seriamente prejudicados. A Cataguases funcionava sem licença ambiental desde 1995. Na época, o juiz da 1.ª Vara de Fazenda Pública do Rio, Elton Leme, atribuiu parte de culpa no desastre ao Poder Público mineiro.

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