Veja os riscos do vazamento em Uberaba

Dentre as quatro substâncias químicas que vazaram do trem descarrilado em Uberaba, em Minas Gerais, na madrugada de ontem, o metanol é o produto mais tóxico e perigoso, além de constituir a carga maior: 381 toneladas. O líquido é altamente inflamável, solúvel em água e reage violentamente na presença de ácidos, agentes oxidantes e redutores, portanto, o cuidado na remoção de destroços deve ser grande. Conforme alertam os bancos de dados da Agência de Proteção Ambiental (EPA), dos Estados Unidos e da Universidade de Oxford, na Inglaterra, a intoxicação pode ocorrer por ingestão, inalação ou absorção através da pele. O contato com os vapores de metanol causa narcose (entorpece os sentidos), irritação dos olhos, pele e vias respiratórias. A exposição mais prolongada pode lesar visão (causando, inclusive, cegueira), fígado, rins, coração e sistema reprodutivo. Trabalhadores em contato direto com o produto podem ter dores de cabeça, perturbações do sono e problemas gastrointestinais. A ingestão direta pode ser fatal. Animais expostos aos vapores também apresentam sintomas semelhantes à narcose, parecendo bêbados. Depois da contaminação do ar, a contaminação da água é o risco mais sério. A contaminação do solo, porém, praticamente não existe.Já o isobutanol é um líquido oleoso, inflamável e também perigoso, se inalado ou ingerido. Como o metanol, pode causar narcose e irritar olhos, pele e vias respiratórias, mas tem efeitos reversíveis. Também chamado de álcool iso butílico, é um solvente orgânico, que se mistura à água com relativa facilidade. ?Parte do líquido que vazou deve degradar biologicamente e parte vai penetrar no solo, contaminando o lençol freático. Se dissolver na água, prejudicará flora e fauna. Mas a maior parte deve evaporar rapidamente, por estar em ambiente aberto?, explica o físico Délcio Rodrigues, pesquisador associado do Instituto Vitae Civilis. O trem descarrilado levava 94 toneladas de isobutanol. O octanol é um álcool com oito carbonos, líquido e transparente, com cheiro penetrante, altamente inflamável. Ainda de acordo com o banco de dados sobre produtos tóxicos da Universidade de Oxford, da Inglaterra, causa irritação nos olhos e pele e pode fazer mal se ingerido ou inalado. É classificado, na Europa, como ?produto perigoso?, em termos de risco, e ?produto nocivo?, em termos de toxicidade. No acidente de Uberaba, vazaram 245 toneladas de octanol e, entre as medidas de segurança para lidar com o acidente, a indicação é favorecer a ventilação, para que o produto evapore, e proteger os olhos dos trabalhadores encarregados da limpeza.O menos tóxico dos quatro é o cloreto de potássio, um pó usado como fertilizante. Em doses adequadas, não oferece risco. O problema, em Uberaba, é a concentração - já que vazaram 147 toneladas - e o contato com a umidade. O produto é higroscópico, quer dizer, pode absorver vapor d?água do ar e se dissolver, contaminando cursos d?água e/ou lençol freático. O contato com a água contaminada causa irritação dos olhos e, eventualmente, problemas hepáticos.

Agencia Estado,

11 de junho de 2003 | 11h18

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