Veneno de cobra pode render descoberta contra câncer

A Fundação Ezequiel Dias (Funed), mantida pelo governo de Minas Gerais, quer levar adiante a pesquisa que já faz há 20 anos sobre as propriedades químicas do veneno da cobra surucucu, mas para isso busca apoio da iniciativa privada. O pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Funed, Eladio Flores Sanches, explica que alguns fragmentos do veneno estão em testes como anticoagulante e como desagregador plaquetário, evitando o avanço de tumores que poderiam se transformar em câncer.Um grama de veneno da surucucu vale no mercado brasileiro entre US$ 4 mil e US$ 5 mil. O valor que se agrega por meio da separação e identificação das partes do veneno poderá fazer valer muito mais essa matéria-prima produzida pela Lachesis (nome científico da surucucu). "Há possibilidade de laboratórios privados assumirem a pesquisa e levarem adiante o desenvolvimento", conta o pesquisador.A Funed investiga as propriedades do veneno desde os anos 80, mas até hoje não tem patente sobre o que descobriu. Embora a Mata Atlântica e a Amazônia sejam o habitat natural da surucucu, a captura da cobra e a extração do veneno encarecem a obtenção da matéria-prima. Os testes para as aplicações foram iniciados entre 1995 e 1996.Mais que ouroSe fosse P&D de laboratório privado, por exemplo, já teria havido tempo suficiente para lançamento de um medicamento com esse tipo de princípio ativo. O grama do veneno da surucucu vale muito mais que ouro e o produto poderia ser farto no Brasil.Sanches revela que no Amazonas existiu a idéia de criar um parque exclusivo para a criação das surucucus. "Mas o projeto não foi concretizado por falta de verbas", lamenta o biólogo.O pesquisador chegou a criar surucucus em cativeiro até 1994. "As exigências alimentares e ecológicas são muito grandes, e não conseguimos sustentar", explica. A espécie Lachesis vive até 20 anos em ambientes naturais como o da Amazônia e o da Mata Atlân tica, enquanto em cativeiro resiste em média quatro anos. leia também ´Pesquisar e não vender é rasgar dinheiro público´

Agencia Estado,

09 de fevereiro de 2004 | 13h52

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