Vermes marinhos aparecem em águas mais rasas

Uma nova espécie de verme marinho, que sobrevive se alimentando em ossos de baleias depositados no fundo do mar, foi descoberta por cientistas suecos. A criatura foi encontrada em esqueletos de baleias minke, em águas relativamente rasas, perto do Laboratório Marinho de Tjarno, na costa sueca.Estes "vermes zumbis", como são chamados, são encontrados normalmente nas águas mais profundas do Oceano Pacífico. Sua presença no Mar do Norte também é novidade.A descoberta foi relatada pela equipe de cientistas britânicos e suecos na revista científica Proceedings of the Royal Society B.FlorOs cientistas Adrian Glover e Thomas Dahlgren afirmaram à revista que a nova espécie foi chama de Osedax mucofloris, que, literalmente, significa "flor de muco que come ossos"."Eles se parecem com flores brotando do osso de baleia. A analogia vai um pouco mais longe, porque eles possuem um sistema de raízes que vai para dentro dos ossos", disse Glover, pesquisador do Museu de História Natural de Londres."A parte do animal que está exposta à água do mar está coberta por uma bola de muco, provavelmente um mecanismo de defesa", acrescentou. O verme tem entre um e dois centímetros de comprimento. Eles se implantam nos ossos de baleia, de onde retiram óleos com a ajuda de bactérias simbióticas e puxam o oxigênio da água do mar.O seu sistema reprodutivo ainda não foi estudado, mas no caso do verme semelhante encontrado no Oceano Pacífico, os cientistas já sabem como funciona."A fêmea dos vermes encontrados no Pacífico mantém os machos dentro de seu tubo, como uma espécie de pequeno harém, que fertiliza dos ovos à medida em que eles são liberados para a coluna de água", afirmou Glover."É um tanto estranho, não sabemos como funciona a reprodução dos vermes encontrados no mar do norte pois ainda não encontramos nenhum macho", acrescentou.DetritosRecentemente cientistas reconheceram a importância dos chamados "detritos de baleia" depositados no fundo dos oceanos.Quando grandes mamíferos marinhos morrem e afundam, seus restos vão parar no fundo do oceano onde se decompõem e desintegram, fornecendo alimento para vários organismos. Mas, encontrar estes locais onde os detritos se depositam não é fácil.Em outubro de 2003, os cientistas Adrian Glover e Thomas Dahlgren, afundaram os restos de uma baleia minke que havia ficado encalhada. Os restos foram parar a 120 metros da superfície e foram monitorados durante meses, por veículos com controle remoto.Em agosto de 2004, a equipe conseguiu recuperar um dos ossos do esqueleto de baleia. Para seu espanto o osso era a base de um tipo de verme marinho que, anteriormente se pensava, era encontrado apenas no Oceano Pacífico, a uma distância de cerca de 3 quilômetros da superfície, e apenas em ossos de baleias cinzentas.Glover e Dahlgren afirmam que há grandes semelhanças entre a duas espécies apesar de terem sido encontradas em locais distantes.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2005 | 13h18

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