Verticalização, tendência também nas áreas ocupadas

O problema da ocupação de áreas de proteção ambiental não é de hoje. As quatro grandes áreas de mananciais - Alto Tietê, Cantareira, Guarapiranga e Billings -, que juntas ocupam 54% da região metropolitana de São Paulo, começaram a ser ocupadas a partir da década de 70. Hoje, calcula-se que 1,5 milhão de pessoas vivam nessas áreas. Por isso, resta pouco espaço livre, principalmente no entorno das Represas Billings e Guarapiranga. O que não tem evitado, no entanto, o adensamento populacional. A falta de espaço para construir novas casas não tem sido problem para os moradores. Eles encontraram uma solução: aumentam suas residências para cima, construindo mais um ou dois andares. A dona de uma loja de material de construção, Aparecida Elizete da Cruz, é um exemplo. Há quatro anos ela mudou com o marido e o filho, então com 1 ano, de Itaquera, na zona leste, para o Jardim Novo Horizonte, às margens da Billings, em São Bernardo do Campo. "Meu marido tinha um terreno aqui e resolveu contruir uma casa para sair do aluguel", diz. "Fizemos primeiro o térreo, depois aumentamos um andar. Mudamos para cima e a de baixo alugamos para uma loja de material de construção. Há dois meses, o dono da loja mudou e nós ficamos com ela." A funcionária de uma fábrica de autopeças, Juliana Alves de Jesus, moradora do mesmo bairro há sete anos, não tem loja, mas também construiu sua casa aos poucos. "Primeiro ergui um cômodo nos fundos do terreno Depois casei e construí esta casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Há cerca de quatro anos acrescentei o andar de cima." Tanto Aparecida quanto Juliana sabem que moram em área de manancial e não poderiam estar ali. "Mas não tenho opção", diz Juliana. "Se pudesse, eu me mudaria para outro lugar", acrescenta Aparecida. Informação - A vice-presidente da Associação Comunitária Ouro Verde, que representa os moradores do Jardim Novo Horizonte, lembra outro motivo para as pessoas terem ocupado a região. "Há 10 anos, quando eu e muita gente viemos para cá, ninguém sabia o que era área de proteção ambiental", justifica. Apesar do grande número de pessoas morando irregularmente às margens da Billings, o secretário de Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo, Osmar Mendonça, diz que o problema já foi mais grave. "Até 1997, o surgimento de loteamentos irregulares era acelerado", lembra. "De lá para cá, graças ao nosso trabalho de conscientização da população dessas áreas e a uma fiscalização mais rigorosa, o problema diminuiu. Desde 1998 não registramos nenhum novo loteamento irregular." Ele reconhece, no entanto, o problema da construção de um segundo ou terceiro andares em muitas casas. "Por causa do baixo poder aquisitivo dessa população, é o único jeito que encontra para abrigar a família que cresce com casamentos e novos nascimentos."

Agencia Estado,

23 de julho de 2002 | 10h02

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