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Vida na Terra começou 220 milhões de anos antes do que se pensava

Cientistas apresentaram fósseis encontrados na Groenlândia de pelo menos 3,7 bilhões de anos

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2016 | 17h45

Um grupo de cientistas descobriu a mais antiga evidência física da vida no planeta em rochas de 3,7 bilhões de anos, na Groenlândia. Os novos fósseis são 220 milhões de anos mais antigos do que quaisquer outros já descobertos.

De acordo com os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira, 1º, na revista Nature, foram encontradas nas rochas estruturas conhecidas como estromatólitos – formações em camadas produzidas pela atividade de micróbios.

O grupo de pesquisadores australianos e britânicos foi coordenado por Allen Nutman, da Universidade de Wollongong, na Austrália. A descoberta foi feita na plataforma geológica conhecida como cinturão de Isua, no Sudoeste da Groenlândia. Os mais antigos estromatólitos até agora haviam sido encontrados no Oeste da Austrália e tinham cerca de 3,5 bilhões de anos.

Os cientistas encontraram estromatólitos fósseis que tinham de um a quatro centímetros de altura. Segundo Nutman, a descoberta sugere que a vida surgiu há mais de 4 bilhões de anos. Essa conclusão seria coerente com análises genéticas feitas anteriormente com a técnica conhecida como “relógio molecular”, que permite calcular o tempo de divergência entre duas espécies a partir do número de diferenças moleculares presentes no DNA.

Segundo os cientistas, várias evidências indicam que os estromatólitos encontrados foram mesmo formados por organismos vivos – incluindo detalhes da composição química, estruturas sedimentárias e a característica dos minerais nas rochas.

De acordo com Nutman, além de representar um novo ponto de referência sobre a mais antiga prova de vida na Terra, a descoberta pode ajudar os cientistas a investigar se a vida já esteve presente em outros planetas no passado.

“Há 3,7 bilhões de anos, Marte provavelmente ainda era úmido, até mesmo com oceanos. Se a vida se desenvolveu tão rapidamente na Terra, permitindo a formação de coisas como estes estromatólitos, seria mais fácil detectar sinais de vida em Marte. Em vez de estudar unicamente a química do planeta, poderíamos ver nas imagens de Marte coisas como os estromatólitos”, disse Nutman, de acordo com a agência France Presse.

Para a geóloga Abigail Allwood, da Nasa, autora de um artigo sobre o estudo publicado na própria Nature, a descoberta tem “importância enorme”. “Há 3,7 bilhões de anos, a superfície da Terra, que estava em formação, era tumultuosa, bombardeada por asteroides. Se a vida encontrou ali um ponto de apoio e deixou marcas tão fortes que seus vestígios existem ainda hoje, então a vida não é uma coisa muito relutante e improvável. Dê meia oportunidade e ela ocorrerá”, disse.

Segundo Allwood, com a descoberta, na Groenlândia, torna-se mais plausível que Marte tenha abrigado vida no passado. “Na época em que as rochas de Isua estavam se formando, Marte não era muito diferente da Terra hoje”, declarou a geóloga. 

Segundo ela, a Nasa encontrou em Marte pedras formadas em corpos de água semelhantes aos da Terra. “A questão é saber se essas águas secaram antes que a vida tivesse os ingredientes necessários para surgir. Considerando que a era dos últimos bombardeios pesados de asteroides no Sistema Solar terminaram 100 milhões de anos antes – alguns instantes, em termos geológicos –, teria havido tempo suficiente para que a vida aparecesse? Se as estruturas de Isua forem mesmo originadas por micróbios, a resposta é sim”, disse Allwood. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS​

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