Vírus transgênico aniquila tumores cerebrais em ratos

Cientistas alteraram geneticamente um vírus comum de resfriado, de forma que ele possa destruir o tipo mais letal de tumor cerebral sem danificar o tecido saudável circundante. A experiência funcionou tão bem em ratos que pesquisadores esperam começar a testá-la em pessoas com um tumor no cérebro agressivo, denominado glioblastoma, no final do próximo ano.Os cientistas implantaram glioblastomas humanos dentro dos cérebros do rato, depois injetaram o vírus experimental diretamente nos tumores. Os ratos que não foram tratados morreram em 19 dias, enquanto 60% dos ratos tratados estavam vivos e animados quatro meses depois. Então, os cientistas fizeram eutanásia nos sobreviventes para verificar o que estava acontecendo dentro de seu cérebro - e descobriram apenas cavidades vazias e tecidos de cicatriz onde antes estavam os tumores."Todos aqui estão entusiasmados com isso, porque nunca vimos nada igual acontecer com os ratos antes", disse o chefe da pesquisa, o Frederick Lang, neurocirurgião do M.D. Anderson Cancer Center, em Houston.Ele alertou, contudo, que esses resultados espetaculares não garantem que o vírus funcionará em seres humanos. Afinal, os cientistas têm curado de câncer muitos ratos e depois viram essas terapias fracassarem em pacientes humanos. "Este é um estudo interessante", disse o médico Len Lichtenfeld, da Sociedade Americana do Câncer. Mas repetindo o alerta de Lang, acrescentou que os vírus mutantes podem se mostrar muito tóxicos para serem usados."Precisamos ser muito, muito cuidadosos ao estudar o tratamento experimental", disse Lichtenfeld. "Já houve muitos casos em que médicos, pacientes e familiares ficaram muito animados com alguns medicamentos e esses medicamentos acabaram demonstrando ser ineficazes. Precisamos evitar isso."Ainda assim, o Instituto Nacional do Câncer está intrigado o bastante para destinar US$ 1 milhão para a produção de vírus mutantes em número suficiente para iniciar o teste em seres humanos, disse Lang, que espera começar a inscrever pacientes com tumor cerebral em um estudo de tratamento no inverno de 2004.O vírus deve ter por alvo outros tumores sólidos também, disse ele. "Mas se há uma doença que realmente precisa de um tratamento novo são os tumores cerebrais", disse Lang, cuja experiência está relatada na edição desta semana na Journal of the National Cancer Institute.

Agencia Estado,

09 de maio de 2003 | 17h52

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