Visita de Bento XVI aos EUA é mais pastoral que política

Papa deve mostrar-se irredutível em assuntos como bioética e casamento homossexual

Giovanna Montemurro, do estadao.com.br,

17 de abril de 2008 | 00h32

Em sua visita aos Estados Unidos, o papa Bento XVI deve mostrar-se irredutível em assuntos como bioética e casamento homossexual, mas pode demonstrar-se solidário com relação a algumas questões importantes para a Igreja norte-americana, principalmente a da participação das mulheres nos cultos. É a opinião do professor do departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Fernando Altemeyer Júnior. O teólogo ressaltou ainda que a visita deve ser mais pastoral que oficial, tratando da "vida cotidiana do fiel."   Veja também: Galeria de fotos  Orações e protestos se misturam no caminho do papa pelos EUA Nos EUA, papa elogia raízes religiosas dos norte-americanos EUA só normalizaram relações com o Vaticano em 1984   "Nessa área (da participação feminina) pode haver surpresas", disse Altemeyer. Um grupo católico dos EUA chegou a realizar uma "missa inclusiva" para defender a ordenação de mulheres para o sacerdócio, na véspera da chegada do papa aos Estados Unidos, em uma igreja metodista.   Ainda na opinião do professor, Bento XVI deve reafirmar a posição da Igreja contra a Guerra do Iraque e "a favor da Igreja iraquiana e de seu povo, mas deve ser uma saia-justa... Vamos ver como ele vai lidar com isso."   Apesar dos temas controversos, e em discordância com a posição do governo norte-americano, Altemeyer ressalta que o ponto alto da visita é a ida ao marco zero no World Trade Center, "com o que o papa reafirma seu posicionamento contra o terrorismo."   O professor lembra, ainda, que depois de alguns poucos compromissos oficiais com o presidente Bush e membro do governo norte-americano, o restante da visita terá um foco pastoral. Para Altemeyer, nessas ocasiões, o pontífice deve reafirmar sua posição "contra o consumismo, falar dos missionários e focar na vida cotidiana do fiel, como sempre tem feito. Esse papa é menos de relações internacionais, ele prefere falar do dia a dia da fé, da espiritualidade."   Quando questionado a respeito de o fato de o papa Bento XVI não ir à festa de aniversário de gala que o presidente Bush organizou na Casa Branca para a noite de quarta-feira, 16, o professor disse concordar com a posição do pontífice. "Comer esse bolo envenenado, bolo do homem que faz a guerra e divide o mundo entre eixo do bem e do mau... Eu também não iria", afirmou.   Segundo Altemeyer, a visita tem um significado bastante relevante, uma vez que Bento XVI faz poucas viagens, por conta de sua idade e a um estilo de sacerdócio diferente do de João Paulo II. "Ele escolhe, portanto, um país de presença católica significativa, com um enorme número de bispos, além de ser um catolicismo financeiramente forte", disse.   Quanto à crise na Igreja e na fé que têm desafiado o catolicismo nos Estados Unidos, segundo análises publicadas na imprensa norte-americana, como a grande diminuição no número de paróquias e os escândalos de pedofilia, o teólogo acredita que o catolicismo americano "segue vigoroso", com o crescimento do número de fiéis hispânicos. "Claro, há a questão emblemática da pedofilia, mas isso acontece em muitos outros países também. Não sei quanto ao fechamento de paróquias, não me parece uma questão tão problemática", disse.

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