Visita de Doutor da Alegria ajuda tratamento

Crianças doentes respondem melhor às medicações

Simone Iwasso, de O Estado de S. Paulo,

25 de outubro de 2008 | 00h18

Duas vezes por semana, vestidos de palhaço, dois artistas passam cerca de seis horas nas alas pediátricas do Hospital do Campo Limpo, em São Paulo. Interagem com cada criança, fazem brincadeiras, arrancam gargalhadas que vão do pronto-socorro à unidade de tratamento intensivo. Essas visitas dos Doutores da Alegria, que se repetem em outros 27 hospitais do País, somando 75 mil encontros anuais, fizeram com que 85,4% das crianças apresentassem evidências clínicas de melhora, segundo os próprios profissionais que as acompanham. Além disso, segundo os médicos dos hospitais visitados, 89,2% das crianças passaram a colaborar mais com os profissionais de saúde, 74% passaram a aceitar melhor os remédios e tratamentos, 77% começaram a se alimentar melhor e 96,3% ficaram mais à vontade no hospital.Os dados fazem parte de uma avaliação de impacto do programa de visita dos artistas aos hospitais, um projeto que começou no início dos anos 1990 e que segue a linha de humanização da saúde dentro das unidades, defendida por organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS).  "A permanência do palhaço não é pontual, há uma continuidade no trabalho, eles voltam todas as semanas e a influência nas crianças e nas relações fica quando ele vai embora", explica Luís Vieira da Rocha, diretor-executivo do Doutores da Alegria. "Há um pragmatismo e uma hierarquia nas relações do hospital. Os palhaços levam delicadeza, criam situações leves, com a permissão das pessoas. Isso mexe com o ambiente. Você vê o médico entrando na brincadeira", diz.A pesquisa analisou questionários respondidos por 567 profissionais de saúde de hospitais de São Paulo e do Rio: 47% deles atuam nas enfermarias das instituições, 15,2% nas Unidades de Terapia Intensiva e 7,6% nos ambulatórios. Acompanhando as crianças, 45% deles afirmaram também que a presença dos palhaços abriu espaço para que a equipe médica discutisse questões delicadas e sensíveis e 49% disseram que a equipe se tornou mais coesa. Até mesmo a relação com a família melhora: 90% delas ficam mais confiantes com o tratamento e 89% passam a brincar mais com as crianças. "A pesquisa se insere num trabalho de avaliações feito há anos e responde a questões da própria sociedade sobre a efetividade de uma atuação desse tipo", conta Morgana Masetti, coordenadora de pesquisa da organização. "É uma resposta para a sociedade, que questiona o efeito de você ter artistas no ambiente hospitalar."

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