Voluntários ajudam a decifrar as rotas dos albatrozes

De lata de tinta em punho, cinco pesquisadores da entidade ambientalista Falkland Conservation estiveram em Steeple Janson, nas Ilhas Malvinas (ou Falkland), no sudoeste da costa argentina, pintando a plumagem do peito de 16.537 jovens albatrozes-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophrys). Eles fazem parte de um projeto de estudo do padrão de dispersão e comportamento dessa espécie de ave marinha, que pretende definir melhor as rotas de migração usadas, a partir da área de reprodução. A tinta deve permanecer visível durante 3 a 4 meses, período em que os pesquisadores esperam receber informações de outros especialistas, biólogos, barqueiros, pescadores ou voluntários, que consigam avistar aves marcadas e estejam dispostos a preencher uma planilha com informações sobre a data, latitude e longitude, número de aves avistadas e comentários pertinentes, como a eventual interação das aves com os barcos de pesca. Fotos também são bem vindas.Os albatrozes estão entre as maiores aves marinhas, capazes de voar grandes distâncias. Têm o corpo branco com o dorso e a parte superior das asas negras, bico escuro e patas amarelas. A tinta marca o peito com uma espécie de colar laranja bem vivo, permitindo a avistagem à distância. A marcação atende a um padrão internacional de observação e não prejudica as aves, saindo depois de alguns meses. Essa espécie - o albatroz-de-sobrancelha-negra - é muito comum entre o litoral da Argentina e o sul do Brasil, podendo se dispersar por todo o Hemisfério Sul. Além das rotas mais freqüentadas por eles, os pesquisadores querem saber quais as estratégias de alimentação e repouso durante os vôos.As informações devem ajudar a traçar estratégias de conservação e proteção das aves, ameaçadas por vazamentos de produtos químicos e pela pesca de espinhel, feita com cabos contendo diversos anzóis, nos quais as aves ficam presas até morrer, depois de abocanhar os peixes fisgados, que estão se debatendo na superfície da água. As estimativas apontam para cerca de 1.600 mortes em espinhéis, por ano, só no sul e sudeste do Brasil.Os integrantes do Projeto Albatroz, que pesquisam essas aves no País, estão colaborando com a Falklands Conservation no estudo. Eles vão enviar observadores treinados para tentar localizar as aves marcadas, a partir de embarcações, e estão divulgando o projeto na comunidade científica e naútica, na tentativa de obter o maior número possível de informações. O e mail do Projeto Albatroz é projetoalbatroz@iron.com.br

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.