Voluntários avistam albatrozes marcados nas Malvinas

Os primeiros albatrozes-de-sobrancelha-negra marcados nas Ilhas Malvinas (ou Falkland), em abril, começam a ser avistados por voluntários embarcados em pesqueiros, no Sul do Brasil. O primeiro foi observado pelo oceanógrafo Fabiano Vanuchi Peppes, que estava a bordo do pesqueiro Camburi, a 200 milhas da costa do Rio Grande do Sul, no dia 21 de maio. Outros 3 albatrozes marcados também foram observados na mesma área, na última semana.Os albatrozes estão entre as maiores aves marinhas, chegando a ter 2 metros de envergadura de asas. A espécie em estudo - Thalassarche melanophrys - tem o corpo branco com o dorso e a parte superior das asas negras, bico escuro e patas amarelas, como a maioria das espécies do gênero, mas diferencia-se pela mancha escura ao redor dos olhos, que lhe rendeu o nome comum de albatroz-de-sobrancelha-negra. Os pesquisadores da entidade Falklands Conservation, que coordenam o presente levantamento, marcaram 16.537 jovens aves, na área de nidificação, nas Malvinas, com uma tinta laranja brilhante, que não prejudica as aves e sai em 4 meses.Agora, equipes de voluntários de vários países estão saindo em barcos de pesca ou embarcações oceanográficas, com o objetivo de avistar as aves marcadas e observar seu comportamento, contribuindo para a identificação de suas rotas de migração e para melhorar a compreensão de sua interação com pesqueiros. Conforme explica Tatiana Neves, do Projeto Albatroz, sediado no litoral paulista, muitos albatrozes são capturados involuntariamente em espinhéis - linhas com vários anzóis, usadas na pesca oceânica - onde ficam presos após abocanhar peixes fisgados, debatendo-se até morrer. A estimativa é de 1,6 mil mortes por ano, só no litoral sul e sudeste do Brasil. O Projeto Albatroz já embarcou 9 observadores em pesqueiros, que usam espinhel, ao longo da costa sul do país, colaborando com a Falkland Conservation, com apoio da Birdlife International. Os resultados das observações devem ajudar a traçar estratégias de conservação e proteção dos albatrozes, reduzindo as mortes acidentais.

Agencia Estado,

30 de maio de 2002 | 15h07

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