Votorantim testa uso de lodo de esgoto como matéria-prima

A Sabesp e a Cimento Rio Branco, empresa do Grupo Votorantim, assinaram hoje um acordo para estudos de aproveitamento dos lodos provenientes do tratamento de esgoto, como combustível alternativo e matéria-prima para fabricação de cimento. O termo de cooperação tem validade de um ano, período em que serão realizado testes na unidade da empresa em Salto de Pirapora, região de Sorocaba, com o lodo desidratado da Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri.Segundo Heitor Sertão, superintendente de Negócios de Tratamento de Esgotos da Sabesp, os estudos serão acompanhados pela Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental (Cetesb). ?A Sabesp bancará o transporte do material para os testes, através de caminhão. Dependendo do resultado final, vamos negociar um contrato com a Cimento Rio Branco e verificar a possibilidade de utilizar transporte ferroviário?, disse.O tratamento de esgotos na Região Metropolitana de São Paulo gera, diariamente, cerca de 320 toneladas de lodo, quantidade que cresce constantemente, conforme avançam as obras de implantação de coleta de esgoto. Atualmente, estes resíduos são encaminhados aos aterros sanitários municipais Bandeirantes e São João, ambos com sua capacidade quase no limite. Através de um convênio com a Prefeitura de São Paulo, os aterros recebem o lodo da Sabesp, que se responsabiliza pelo tratamento do chorume (líquido formado pelo lixo) nos depósitos.A iniciativa de procurar a indústria cimenteira foi da Sabesp, por considerar que tem capacidade de absorver grandes quantidades de lodo. Essa será a primeira experiência do gênero no País, mas a utilização de lodos de estação de tratamento de esgotos como matéria-prima na indústria cimenteira é uma prática que vem sendo adotada em vários países, como Estados Unidos e Suíça. Além disso, é uma das recomendações da política do Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável. A Cimento Rio Branco se interessou pela parceria por já ter experiência de dez anos em co-processamento. No município de Rio Branco, na Região Metropolitana de Curitiba, a empresa trabalha com co-processamento de pneus. ?O uso desses materiais alternativos, porém, precisa ser estudado caso a caso. Os testes irão avaliar o potencial do loco úmido e do seco, para saber qual é economicamente mais viável?, diz o diretor da Sabesp.

Agencia Estado,

13 de maio de 2003 | 12h57

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