WEF faz sua primeira "cúpula verde" no RJ

A primeira cúpula empresarial latino-americana do World Economic Forum (WEF), que começa amanhã no Rio de Janeiro e se estende até sexta-feira, vai mostrar uma novidade jamais vista no Brasil em favor do meio ambiente no mundo. O WEF contratou uma empresa norte-americana para calcular o grau de contaminação que os mais de 500 convidados, entre executivos de multinacionais, intelectuais, acadêmicos e representantes da sociedade civil e de grupos não governamentais, vão provocar no Rio de Janeiro nesse período de três dias."Esse custo ao meio ambiente será transformado em um número, o qual indicará a quantidade de árvores que terá de ser plantada em algum lugar do planeta para compensar essa contaminação e manter o equilíbrio ambiental", explicou à Agência Estado Claudia Gonzalez-Gisiger, a assessora de imprensa do WEF.A empresa contratada vai verificar, por exemplo, quantos dos convidados e participantes do evento chegarão ao Rio em avião, em ônibus ou automóvel e qual o grau de contaminação provocado por esses meios de transporte. Serão consideradas também outras formas de contaminação e de prejuízo ao meio ambiente para chegar ao número correto que indicará o número de árvores a ser plantado. De acordo com Claudia, será a primeira vez na América Latina que um evento desse porte focará também o respeito ao meio ambiente. "Será uma cúpula verde", disse a assessora do WEF.Ela informou ainda que, durante o evento, o World Economic Forum vai divulgar um estudo sobre competitividade na América Latina na área de tecnologia da informação (TI). "Será divulgado um ranking de países latino-americanos em termos de avanços que fizeram nessa matéria", informou Claudia. LulaO WEF convidou o presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva para participar do encerramento dessa cúpula, na sexta-feira, mas não recebeu resposta, pelo menos até o período da manhã desta terça-feira. "Essa primeira cúpula seria uma excelente oportunidade para o novo governo do Brasil e os empresários, não só brasileiros mas também latino-americanos, criarem laços de confiança", disse a assessora do World Economic Forum. Até hoje, só o senador eleito pelo PT-SP Aloizio Mercadante e a prefeita de São Paulo, Martha Suplicy, haviam confirmado presençaHá pouco menos de um mês, o diretor geral do WEF e ex-presidente da Costa Rica, José Maria Figueres, havia explicado à Agência Estado que o novo governo tinha três grandes responsabilidades: mostrar quais eram seus planos para o Brasil, para a América Latina e para o mundo. Uma dessas responsabilidades, explicou Figueres pouco antes do segundo turno das eleições, "se refere aos deveres para com a sua população, outra está relacionada ao contexto regional, já que o Brasil é o motor da economia latino-americana, e, finalmente, como o País vai se posicionar em relação ao mundo".Embora o WEF tenha escolhido como foco principal dos debates dessa primeira cúpula empresarial os desafios que a América Latina tem para voltar a crescer sem excluir grande parte de sua população, o Brasil será tema central na programação do WEF no Rio de Janeiro, razão pela qual o presidente eleito do Brasil será o convidado de honra para o encerramento.Setor privadoA cúpula empresarial do Rio, cujo tema principal será as Ações conjuntas em busca do desenvolvimento sustentável e da eqüidade social, será co-presidida por Violy McCausland, presidente da Violy, Byorum & Partners, EUA; Carlos E. Represas, vice-presidente executivo da Nestlé, Suíça; William R. Rhodes, vice-presidente sênior do Citigroup EUA; e Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, Brasil.Durante a Reunião, representantes do empresariado e dos governos, em conjunto, elaborarão uma lista de prioridades com o propósito de aprimorar a competitividade e os sistemas de governança a fim de estimular a retomada do crescimento da região. Para Figueres, o crescimento deve incorporar também uma maior proteção contra choques externos, aos quais a região se mostra ainda muito vulnerável. "Serão dois dias de trabalhos cruciais, nos quais teremos a oportunidade de trabalhar juntos, de pensar de forma positiva e de criar não apenas uma única visão para a América Latina mas também um plano concreto para a região", disse Figueres. Para ele, a América latina precisa avançar seriamente para o futuro.ConvidadosEntre os convidados para fazer parte dos debates estão o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o ministro de Desenvolvimento, Sérgio Amaral, além do presidente Fernando Henrique Cardoso, que deverá abrir o evento no dia 20 de novembro. Os relatores da primeira "Cúpula empresarial latino-americana" serão Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho da Sadia, Brasil; L. Enrique García, presidente e CEO da Corporación Andina de Fomento (CAF); e Pedro P. Kuczynski, presidente e CEO do Latin American Enterprise Fund, EUA; Felipe Larraín Bascuñán, Professor de Economia, Universidade Católica, Chile.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 10h17

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