WRI lança relatórios sobre mineração em áreas ecologicamente frágeis

A entidade independente World Resources Institute (WRI), sediada em Washington DC, EUA, divulgou, hoje, o relatório ?Mineração e Ecossistemas Críticos: Mapeando os Riscos?, que visa orientar investidores quanto aos possíveis impactos ambientais da extração de minérios, petróleo ou gás natural em áreas ecologicamente frágeis. Elaborado nos últimos 2 anos, o relatório traz metodologias para que empresas, governos e entidades da sociedade civil desenvolvam normas para a mineração social e ambientalmente responsável e para a identificação de áreas de risco (para a biodiversidade/ecossistemas), onde a possibilidade de extração mineral deve ser excluída. O estudo ainda apresenta dois estudos de caso, nas Filipinas e em Papua-Nova Guiné, onde os padrões e metodologias propostas são detalhados.As regiões de floresta tropical ? e entre elas a Amazônia - são destacadas no relatório como frágeis à remoção da cobertura vegetal e perda de biodiversidade ou contaminação de cursos d?água por poluentes usados no beneficiamento do mineral, como é o caso do mercúrio, utilizado na extração de ouro. Conforme o WRI, mais de 25% das minas ativas ou áreas de exploração de minérios (pelo garimpo, por exemplo) estão em áreas estritamente protegidas ou a menos de um quilômetro de distância destas. Perto de um terço da minas ativas estão em áreas praticamente intactas e de alto valor para a conservação e o mesmo percentual está em bacias hidrográficas estressadas (por excesso de uso, demandas de usos múltiplos ou poluídas). E um quinto destas minas ou áreas de exploração mineral estão em regiões sujeitas a atividade sísmica.Alguns países, como Gana e Indonésia, estão considerando a possibilidade de abrir áreas antes protegidas à mineração, uma ameaça que deve se estender a outros países e outras áreas frágeis, no futuro, tendo em vista a pressão crescente por este tipo de concessão. A falta de clareza na legislação de proteção e a falta de definição quanto aos limites reais dos ecossistemas mais frágeis favorece o avanço dos mineradores em prejuízo do meio ambiente. Além disso, áreas ainda não protegidas legalmente, mas de grande riqueza (hot spots) ou que abrigam monumentos naturais, também são vulneráveis.O estudo do WRI conclui com algumas recomendações, para evitar o agravamento de conflitos entre mineração e proteção ambiental. Segundo o relatório, bancos e seguradoras devem usar indicadores para avaliar a sensibilidade social e ambiental de cada empreendimento a ser financiado/segurado; instituições financeiras devem submeter seus estudos a experts independentes e apresentá-los em audiências públicas antes de aprovar projetos de mineração; governos e ongs devem identificar áreas sensíveis à mineração e assegurar sua proteção a longo prazo e mineradoras devem se comprometer a não postular a exploração de áreas definidas como vulneráveis. Ainda se recomenda que os compradores de minérios ou mesmo os consumidores de jóias e pedras preciosas e semi-preciosas procurem certificar-se de que não estão adquirindo itens provenientes de minas ecologicamente incorretas.

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