Xavantes são barrados em reunião para tratar de suas terras

Sem a presença dos principais interessados, os índios xavantes, terminou sem acordo a reunião realizada nesta terça-feira em Cuiabá entre o presidente em exercício, José Alencar, lideranças indígenas e posseiros para evitar um conflito na região de Alto Boa Vista. Os xavantes, que reivindicam posse de uma área de 165 mil hectares ocupada por agricultores, foram impedidos de participar do encontro, realizado no Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso. Só tiveram acesso à reunião os caciques Raoni Kaiapó e Aritana Yawalapti, líderes conhecidos no exterior mas que pertencem a outras etnias.Em entrevista após o encontro que durou seis horas, José Alencar reclamou da ausência dos xavantes. "Recomendei que os xavantes fossem convidados", afirmou. Alencar disse que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Gomes, "fez crescer a responsabilidade dele na questão" ao decidir que representaria os xavantes.O presidente em exercício disse que não tinha sido informado que os índios Ivan e Luís Tserewawe Xavante foram impedidos de entrar no palácio. "O ideal é que eles estivessem aqui", disse.Na JustiçaCerca de 1,5 mil famílias de brancos e 600 índios xavantes brigam pela posse da antiga fazenda Suyá Missu, uma área de 165 mil hectares doada aos índios pela empresa Agip em 1992. Quando a Funai demarcou a terra, seis anos depois, posseiros já tinham invadido o local. A Justiça deverá tomar uma decisão até fevereiro.No encontro no Palácio Paiaguás, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), parlamentares, e representantes dos ministérios da Justiça e do Desenvolvimento Agrário avaliaram a possibilidade de instalar os xavantes numa área de 3 mil hectares na região até a decisão judicial.Alencar afirmou, no entanto, que um funcionário da Funai chamado "Chico" disse na reunião que conhecia os xavantes e tinha certeza que esses não iriam aceitar a proposta. Os índios estão acampados nas margens da BR-158. O governador Maggi informou que homens da Polícia Militar estão na área.Empresa do viceAlencar negou notícia divulgada em sites de Cuiabá de que a Coteminas, empresa controlada por sua família tem terras e fornecedores de algodão na área da disputa. "Estou aqui cumprindo deveres de presidente em exercício, tendo em vista a iminência de um conflito entre índios xavantes e posseiros", disse. "Espero que vocês jornalistas façam uma boa investigação para saber se eu tenho outro interesse aqui."Alencar afirmou que a Coteminas consome 10% do algodão produzido no País, mas que ele nunca "cogitou" comprar um hectare de terra desde que começou a carreira política.

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