Xingu tinha comunidade pré-histórica urbana e sofisticada

Cultura que existiu há 1.500 anos era urbana e bastante sofisticada, se organizando em diversos assentamentos

AP

28 de agosto de 2008 | 16h29

Rodovias e canais conectavam cidades e vilas. As comunidades eram distribuídas ao redor de praças. Nas proximidades, pequenos assentamentos se concentravam na agricultura e pesca. O local: as selvas do Brasil. O tempo: séculos antes de os europeus chegarem às Américas.   Foto: Science Vestígios de uma habitação queimada na região do Alto Xingu   Há cerca de 1.500 anos, uma cultura essencialmente urbana existiu no que é agora uma selva habitada por tribos esparsas, disseram pesquisadores em um artigo publicado na revista Science.   Eles não eram tão sofisticados quanto culturas bem conhecidas como os maias e os astecas, mas sua cultura era muito mais complexa do que pensavam os antropólogos.   A descoberta "exige que se repense como realmente foi o urbanismo no local, em diversas formas variantes", disse Michael J. Heckenberger, da Universidade da Flórida, autor principal do estudo.   Heckenberger e seus colegas reportaram pela primeira vez evidências da cultura - que ele chama de Xingu, como o rio local - em 2003 e agora descobriram mais detalhes da comunidade antiga.   Os pesquisadores encontraram evidências de 28 locais residenciais pré-históricos. A colonização começou há cerca de 1.500 anos e as vilas estudadas foram datadas entre 750 e 450 anos atrás. A população local diminuiu drasticamente depois que os europeus chegaram ao local.   Cada vila tinha uma praça central e as comunidades maiores chegavam a ter muros e praças secundárias.   Cada um dos assentamentos tinha uma rodovia formal conectada à praça central e orientada no eixo norte/sul.   As populações são estimadas em cerca de 800 a mil nas cidades com vilas agrárias satélites, chegando a um total de 2.500 em cada um dos diversos aglomerados.

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