Zoológicos têm boas condições em São Paulo

A vistoria realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nos zoológicos de São Paulo não encontrou animais mal alimentados ou maltratados em nenhum dos 39 estabelecimentos visitados. Segundo Wilson Lima, gerente executivo do Ibama em São Paulo, a maioria deles foi considerada adequada, quatro foram fechados, nove foram convocados para assinar acordos para se adequar e dois já resolveram os problemas detectados na vistoria."A maior parte dos problemas referem-se a instalações inadequadas, segurança, falta de documentação ou equipamentos exigidos pela nova legislação, como o quarentenário - local para os animais novos ficarem de quarentena antes de serem colocados em exposição. Felizmente, não encontramos nenhuma situação de calamidade no Estado", disse Lima. São Paulo foi o primeiro estado brasileiro a realizar uma vistoria em todos os zoológicos em funcionamento e o relatório final, que acaba de ser concluído, será apresentado durante o Congresso Nacional de Zoológicos, que acontece a partir do próximo domingo, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.O diretor do Ibama diz que o fechamento de três zôos municipais (Mongaguá, Lins e Marília) foi uma decisão das próprias prefeituras, que preferiram fechar a se adequar. "Esses locais nem podem ser considerados realmente zoológicos, mas uma exposição indevida, porém até então consentida, de animais ao público". Em Mongaguá, onde existiam alguns pássaros e macacos em uma praça, os animais já foram retirados e encaminhados para o zoológico de Santos. Em Lins, a maior parte dos 186 animais silvestres serão encaminhados, nos próximos 15 dias, para o zôo de Presidente Prudente (que encontra-se fechado e deve reabrir logo após uma vistoria do Ibama), mas ainda não foram encontrados locais para uma onça-pintada e dois leões. Os 82 animais de espécies nativas de Marília também não possuem ainda destinação certa. "Criamos uma comissão para resolver o problema, mas é difícil encontrar local, principalmente para os grandes felinos", diz Lima. Já o Pet Zôo, em Cotia, é um parque com animais domésticos, como pôneis e cavalos, mas mantinha também jabotis, que precisam seguir a legislação de zoológicos. "O local não foi fechado, mas os animais silvestres terão que ser retirados", explica Lima. Além de Presidente Prudente, estão fechados, mas com projetos de reabertura, os zoológicos de Araras e Piracicaba.O diretor do Ibama conta que os zoológicos de Sorocaba e São Vicente, que tinham vários problemas durante a inspeção, resolveram rapidamente as pendências e não precisarão assinar os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que serão exigidos dos demais. "Sorocaba investiu mais de um milhão de reais e já foi liberado. A prefeitura de São Vicente acaba de informar que está concluindo as obras exigidas (construção de setor extra, cozinha e ambulatório) e que aguarda nova inspeção".Os zoológicos de Taboão da Serra, Garça, Guaíra, Andradina, Araçatuba, Boituva, Buri, Bragança Paulista e Campinas estão sendo chamados para assinarem os TACs, que serão acompanhados por uma comissão, formada por técnicos do Ibama, Sociedade Paulista de Zoológicos e Sociedade de Zoológicos do Brasil. Em Campinas, por exemplo, foram dados prazos, que vão de 30 a 180 dias, para serem resolvidos problemas como o afastamento do público, inadequado em vários recintos, e falta de segurança nos recintos de grandes felinos e do cachorro do mato.Entre os zoológicos considerados adequados, o destaque é para o de São Paulo, que conta com cerca de 3.200 animais. Considerado um dos dez melhores do mundo pelos rankings internacionais, é o maior da América do Sul em termos de diversidade de espécies. Até pouco tempo o único zoológico particular de São Paulo e agora administrado pelo Estado - através da Fundação Zoológico -, o Zôo Safari também não apresentou problemas. Segundo os técnicos, a instalação de grades separando os animais perigosos do público, ao contrário do que se imagina, deixou os animais mais próximos dos visitantes. Embora a função de lazer ainda seja muito importante, pois a visitação pública é uma das premissas de um zoológico, esses locais deixaram de ser apenas uma "vitrine de bicho" e passaram a se preocupar com educação ambiental e reprodução de espécies ameaçadas de extinção. Essa mudança de foco determinou as melhorias nas condições dos recintos dos animais, que antigamente ficavam em jaulas muito pequenas. Vários dos zoológicos de São Paulo são conhecidos pela reprodução de espécies em extinção. No de São Paulo, pode-se destacar as araras azuis, os gatos brasileiros e os tamanduás. Também há trabalhos realizados pelos zôos de São Bernardo(com cachorro do mato vinagre), Bauru (lobo guará, mico-leão-dourado e ararajuba), São Carlos (onças e ema) e Sorocaba (anta e arara azul). Zoológicos no Estado de São PauloAdequadosCatanduva, Ribeirão Preto, São José do Rio Pardo, São José do Rio Preto, Vargem Grande Paulista, Jardinópolis, Limeira, São Carlos, Leme, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, São Bernardo do Campo, Americana, Guarulhos, Ilha Solteira, Santos, Cubatão, Bauru, Zôo Safári, São Paulo, Paulínia, Sumaré, Itatiba, Pedreira, Sorocaba, São VicenteConvocados para TACsTaboão da Serra, Garça, Guaíra, Andradina, Araçatuba, Boituva, Buri, Bragança Paulista, CampinasFechados pelo Ibama (com a retirada dos animais)Mongaguá, Lins, Pet Zôo (somente jabutis), MaríliaFechados com projeto de reaberturaPresidente Prudente, Araras e Piracicaba

Agencia Estado,

19 de maio de 2002 | 20h37

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