Ararinha-azul pode voltar à Caatinga em 2019

Ararinha-azul pode voltar à Caatinga em 2019

Este seria o ano da primeira soltura de animais de cativeiro na região de Curaçá (BA), segundo um plano anunciado ontem pelo MMA para reintroduzir a espécie na natureza, em parceria com criadores estrangeiros

Herton Escobar

13 Julho 2016 | 06h00

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Ararinhas-azuis no criadouro Al Wabra, no Catar. Foto: Herton Escobar/Estadão ©

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou ontem um plano de cinco anos para reintroduzir a ararinha-azul no seu hábitat original: a caatinga do norte da Bahia. Considerada extinta na natureza há mais de 15 anos, a espécie (Cyanopsitta spixii) que inspirou a história do filme Rio só existe hoje em cativeiro, e a maioria dos exemplares está em criadouros particulares fora do Brasil.

O plano prevê a criação de uma área protegida e a construção de um Centro de Reintrodução e Reprodução da Ararinha-Azul em Curaçá, município baiano, na divisa com Pernambuco, onde a espécie costumava ocorrer. Segundo o MMA, os esforços para criação de uma unidade de conservação na região “já estão em fase avançada” e deverão ser levados a consulta pública em breve.

A construção do centro de reintrodução deverá custar US$ 1,5 milhão. O projeto será bancado com apoio das instituições parceiras do plano: a Al Wabra Wildlife Preservation (AWWP), do Catar; a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), da Alemanha; a Parrots International, dos EUA; o Jurong Bird Park, de Singapura; a Fazenda Cachoeira e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no Brasil.


Segundo o cronograma, o centro deverá ficar pronto em 2018, para dar suporte à primeira soltura de ararinhas-azuis na natureza em 2019. Os animais serão monitorados por dois anos, e a experiência adquirida nesse período será usada para uma segunda soltura, em 2021. Antes disso, será realizada uma soltura de teste com maracanãs, uma espécie de arara que não está ameaçada e pode conviver com as ararinhas-azuis na natureza.

Atualmente há 128 ararinhas-azuis em cativeiro no mundo — a maioria delas nos criadouros do Catar e da Alemanha, que nos últimos anos vêm trabalhando em parceria com o governo brasileiro no sentido de reproduzir a espécie e reintroduzí-la na natureza. Pelo acordo assinado ontem, os parceiros internacionais se comprometem a enviar 70% do filhotes nascidos sob sua guarda nos próximos anos para o projeto de reintrodução.

Por enquanto, a instituição responsável por guardar e reproduzir ararinhas-azuis no Brasil é o Criadouro Fazenda Cachoeira, em Minas Gerais.

Assista à reportagem sobre as ararinhas-azuis do Catar:  http://goo.gl/ZPqmb4

Assista à reportagem sobre as ararinhas-azuis do Catar: http://goo.gl/ZPqmb4

Ave misteriosa

No final de junho foi anunciado que uma ararinha-azul foi avistada na natureza em Curaçá, por várias pessoas. Uma moradora chegou até a fazer um vídeo dela voando, mas o paradeiro da ave desde então é desconhecido.

O MMA informou ontem que uma equipe do ICMBio rodou a região, com apoio da comunidade, e que a ave foi ouvida, mas não foi avistada.

A identificação da espécie com base nas imagens e no áudio do vídeo é polêmica. Há quem diga que o grito dela se parece mais com o de uma arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) do que de uma ararinha-azul; mas sem encontrar a ave não há como ter certeza. Se for mesmo uma ararinha-azul, é possível que ela tenha sido solta por algum criador não autorizado para escapar das autoridades.

Alguns conservacionistas criticaram a divulgação da avistagem, acreditando que isso coloca em risco a ararinha.

Reportagem exclusiva contou como vivem as ararinhas-azuis no Catar.

Reportagem exclusiva contou como vivem as ararinhas-azuis no Catar.