Drogas, Valores e Visões de Mundo: Qual é a sua?

Drogas, Valores e Visões de Mundo: Qual é a sua?

Pesquisa online lançada por cientistas da Unicamp busca entender o que influencia a opinião das pessoas sobre políticas de drogas

Herton Escobar

15 Maio 2018 | 17h22

Maconha vendida legalmente no Uruguai. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Você é favorável à legalização da maconha? Pessoas que consomem drogas ilícitas devem ser presas? E o que você pensa sobre outros assuntos polêmicos, como aborto, homossexualidade e cotas raciais nas universidades?

Esses são alguns dos temas abordados na enquete “Drogas, Valores e Visões de Mundo”, lançada na semana passada por pesquisadores do Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (LEIPSI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): http://survey.ccuec.unicamp.br/index.php/679845

O objetivo da pesquisa é “entender melhor o que leva alguém a tomar uma ou outra posição sobre políticas de drogas”, diz o professor Luís Fernando Tófoli, do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp, que coordena o estudo. O questionário online foi publicado na sexta-feira (11), e já recebeu mais de 700 respostas. A meta dos pesquisadores é chegar a 1.500.

A regulamentação das drogas é um tema polêmico, que costuma dividir opiniões de forma bastante polarizada. Tófoli, pessoalmente, defende a legalização da maconha e a descriminalização do uso de outras drogas, por entender que o consumo dessas substâncias deve ser tratado como um problema de saúde pública, e não como um caso de polícia.

“Descriminalizar significa retirar da condição de crime o porte de uma droga para uso pessoal. Ou seja, é remover punição criminal para o usuário de drogas”, disse ele, em uma entrevista recente ao blog. “A produção, distribuição e comércio das substâncias ilegais continua a ser crime de tráfico.”

A experiência dos vários países que já descriminalizaram as drogas, segundo ele, mostra que o fato de o consumo ser considerado crime não influencia de forma significativa a decisão pessoal de usar ou não uma determinada substância. “Descriminalização, na melhor evidência disponível, não aumenta o consumo de drogas”, afirma Tófoli, em sua participação no USP Talks sobre Políticas de Drogas, em setembro de 2017.

A editora-chefe do British Medical Journal (BMJ), Fiona Godlee, recentemente publicou um editorial defendendo, também, a descriminalização das drogas. “O BMJ apoia firmemente esforços para legalizar, regulamentar e taxar a venda de drogas para uso recreativo e medicinal”, escreve a médica, em concordância com a posição adotada pelo Royal College of Physicians of London e outras autoridades de saúde pública britânicas. “Não é uma questão de opinião, se as drogas são boas ou ruins. É uma posição baseada em evidências, totalmente em linha com uma abordagem de saúde pública para crimes violentos”, escreve ela.

Outros pesquisadores pensam diferente. “As drogas que mais produziram danos sociais foram as drogas lícitas, no caso o álcool e o cigarro. Então, porque você vai querer uma terceira ou quarta droga lícita?”, questiona o médico Ronaldo Laranjeira, professor do Departamento de Psiquiatria e coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que foi um dos palestrantes do USP Talks sobre Maconha, Canabinóides e Sociedade, em abril de 2017. “Do ponto de vista puramente da saúde pública, é indefensável a gente apoiar a legalização de mais drogas, porque sempre que isso aconteceu houve um aumento de consumo, e sempre que há aumento de consumo há aumento de problemas com aquela droga”, afirmou.

E você, o que pensa?