Físicos alertam: Fim do mundo está próximo para a ciência brasileira

Físicos alertam: Fim do mundo está próximo para a ciência brasileira

Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) avisa que está a beira de um colapso financeiro, assim como várias outras instituições e agências de pesquisa nacionais. Recursos acabam neste mês.

Herton Escobar

21 Agosto 2017 | 12h30

Ilustração do Relógio do Fim do Mundo. Crédito: Bulletin of Atomic Scientists/Doomsday Clock (Reprodução)

O fim do mundo está próximo para a ciência brasileira, e o futuro do país pode ser destruído com ela. Quem alerta é o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), uma das instituições de pesquisa mais tradicionais do Brasil — fundada em 1949, no Rio de Janeiro.

“O que move os ponteiros do relógio da ciência no Brasil são os consecutivos cortes e contingenciamentos das verbas federais para os institutos de ciência e tecnologia. No CBPF, caso o cenário permaneça o mesmo, a hora fatídica deve chegar no início de setembro, quando estarão exauridos os últimos recursos, e pagamentos essenciais (segurança, limpeza, luz, água etc.) ficaram impraticáveis”, diz o aviso, publicado no site da instituição.

O texto faz uma analogia com o chamado Relógio do Fim do Mundo (Doomsday Clock), criado em 1947 pelo Boletim dos Cientistas Atômicos — publicação de um grupo de cientistas preocupados com a ameaça das armas nucleares. O relógio é uma representação gráfica de quão perto estamos de destruir a nós mesmos. Em 1947, dois anos após o fim da Segunda Guerra, estávamos a 7 minutos da meia-noite. Na década de 1990, com o fim da Guerra Fria, essa “folga” aumentou para 17 minutos. Hoje, levando em conta as mudanças climáticas, o terrorismo, o extremismo e o aumento das tensões globais, estamos a míseros 2 minutos e 30 segundos do apocalipse.


Para a ciência brasileira, o tempo pode ser ainda mais curto. Várias universidades, institutos e agências de pesquisa estão à beira de um colapso financeiro. E a “meia-noite” para elas é 31 de agosto, quando acaba o dinheiro disponível no orçamento para este ano. Sem um descontingenciamento urgente de recursos por parte do governo federal, muitas vão literalmente apagar as luzes a partir do mês que vem. Especialmente no já falido Estado do Rio de Janeiro, onde fica o CBPF.

No Dia do Juízo Final para a ciência brasileira, quem serão os culpados?

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