Cícero Moraes
Cícero Moraes

Brasileiro reconstrói em 3D os rostos de 15 espécies de hominídeos

Trabalho do designer Cícero Moraes, a partir de fotos dos ossos de parentes primitivos do Homo sapiens, é destaque na Itália

FÁBIO DE CASTRO , O Estado de S. Paulo

06 Abril 2015 | 16h02

O designer brasileiro Cícero Moraes, de Sinop (MT), reconstruiu em 3D os rostos de 15 espécies extintas de hominídeos, que fazem parte da mostra "Rostos - as muitas faces da história humana", em exibição até o dia 14 de junho na Universidade de Pádua, na Itália. A reconstrução digital mostra de forma realista o aspecto dos parentes primitivos do Homo sapiens.

A reconstrução é feita a partir de fotos dos crânios dos hominídeos. Depois de fazer uma varredura digital 3D dos ossos, o designer realiza uma aproximação da musculatura facial dos hominídeos, utilizando como referência tomografias de chimpanzés. A partir daí, ele usou um software para esculpir manualmente as características faciais dos hominídeos. 

"A partir das fotos dos ossos, feitas por protocolos específicos, com precisão submilimétrica, eu faço uma modelagem dos músculos mais robustos da face. Depois, utilizo os dados fornecidos por estudos anatômicos e estatísticos que medem, em populações inteiras, as distâncias entre a superfície da pele e os ossos. A partir de vários desses estudos, consigo estabelecer um padrão que me permite reconstruir o rosto", explicou Moraes. Depois desse procedimento, com a face esculpida digitalmente, ele adiciona os cabelos e outros toques cosméticos.

O trabalho do designer ganhou destaque internacional em 2013, depois que ele foi contratado pelo Museu de Antropologia de Pádua para reconstruir em 3D o rosto de Santo Antônio de Pádua, a partir dos ossos do santo católico. O trabalho foi feito em parceria com uma equipe de peritos forenses e do grupo de pesquisas arqueológicas Arc-Team, da Itália, do qual o brasileiro é membro. Segundo Moraes, a reconstrução foi feita sem que ele soubesse de quem eram os ossos. A ideia era que o rosto ficasse fiel à aparência verdadeira do santo, sem influências culturais ou da tradição histórica. "Fui informado apenas de que se tratava de um homem caucasiano de 30 a 40 anos. A partir do crânio, fiz a reconstrução", afirmou Moraes.

Além dos hominídeos e de Santo Antônio de Pádua, Moraes também já realizou outras reconstruções históricas na Itália, como o rosto do poeta Francesco Petrarca, criador do soneto, e do cientista Gianbattista Morgagni, considerado o pai da anatomia patológica. O próximo trabalho de Moraes é a reconstrução do rosto de Maria Madalena, a partir do suposto crânio da personagem bíblica, que está no relicário da basílica de Sainte-Marie-Madeleine, em Maximin-la-Sainte-Baume, no sul da França. O novo trabalho será apresentado em junho, na França.

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