REUTERS/J. Bell (Cornell U.) and M. Wolff (SSI)/NASA
REUTERS/J. Bell (Cornell U.) and M. Wolff (SSI)/NASA

'Ambiente marciano é mais habitável do que aparentava ser no passado'

Segundo o cientista brasileiro Douglas Galante, lago em Marte, descoberto nesta quarta, é parecido com outro que existe na Antártida

Entrevista com

Douglas Galante

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2018 | 20h54

Um grupo liderado por cientistas italianos detectou um grande lago de água líquida sob as calotas de gelo polar em Marte. Segundo os autores da pesquisa, publicada nesta quarta-feira, 25, na revista Science, é a primeira vez que um grande reservatório de água líquida foi identificado no Planeta Vermelho. A presença de água congelada já havia sido comprovada há anos, mas a água líquida é considerada condição indispensável para a vida em um planeta. 

Em entrevista ao Estado, Douglas Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, explica o que deve vir depois dessa descoberta. 

1. Qual é o impacto dessa descoberta?

A grande novidade desse trabalho é mostrar que existe pelo menos um bolsão - e portanto podem existir muitos outros - com água permanentemente líquida. E que essa água não está no subsolo e sim na superfície do planeta, sob o gelo. Esse lago marciano é muito parecido com o Lago Vostok, na Antártida, que sabemos ser um ambiente habitável, mesmo a 30 quilômetros de profundidade. Por isso, essa descoberta nos mostra que o ambiente marciano é mais habitável do que aparentava ser no passado.

2. Há alguma possibilidade de se fazer buscas por vida nesse lago? 

Com a tecnologia de que dispomos, é inviável porque nossas sondas não são capazes de perfurar o gelo marciano tão profundamente. Mas a descoberta indica que pode haver outros bolsões parecidos e em algum deles a água pode estar acessível. É questão de continuar buscando. O radar da ESA (Agência Espacial Europeia) precisou procurar de 2012 a 2015 até encontrar essa região com água. Temos de lembrar que Marte tem extensões muito vastas e é preciso tempo. Mas esses resultados reforçam nossas esperanças. 

3. Marte passa a ser o principal alvo para a busca de vida? 

Não há uma resposta conclusiva para essa questão. Mas podemos dizer que Marte entra no grupo de candidatos a ter vida presente. Até agora, luas de Júpiter como Europa, ou de Saturno, com Encélado, eram considerados os locais mais propícios para a busca de indícios de vida presente. Marte teve no passado condições de habitabilidade que se perderam com o tempo e era considerado um candidato à pesquisa sobre indícios de vida extinta. Mas agora sabemos que Marte também tem condições para abrigar vida atualmente. 

 

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