Alex Hofford/EFE
Alex Hofford/EFE

China suspende pesquisa que teria criado bebês geneticamente modificados

Autoridades investigam suposto experimento do cientista chinês He Jiankui com edição genética de embriões; experimento também é criticado pela comunidade científica

AFP e Associated Press

29 Novembro 2018 | 11h50

PEQUIM E HONG KONG - O governo chinês suspendeu na quinta-feira, 29, os estudos de edição genética do cientista He Jiankui. A decisão foi tomada após o pesquisador anunciar que teria gerado os primeiros bebês geneticamente modificados da história, cujos embriões supostamente tiveram o DNA modificado para inibir o vírus HIV. O experimento foi criticado durante toda a semana entre cientistas, universidades e autoridades locais. 

Em entrevista a uma televisão local, o vice-ministro da Ciência e Tecnologia, Xu Nanping, chamou o experimento de "ilegal" e "inaceitável". Além disso, ressaltou que He será investigado. "Esse incidente viola de maneira flagrante as leis e normas chinesas, e transpassa abertamente os limites da moral e da ética da comunidade universidade."

He é professor associado da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, de Shenzhen, que declarou desconhecer o experimento. O experimento também é investigado pela Comissão Nacional de Saúde da China. A pesquisa não foi detalhada em nenhum artigo científico e, até o momento, não foi realizado nenhum estudo independente para aferir que a edição genética foi realmente realizada. 

O cientista também foi criticado por cientistas e universidades. O presidente da conferência, David Baltimore, vencedor do prêmio Nobel, disse que o caso expõe a "carência de autorregulação da comunidade científica devido à falta de transparência".

Cientistas apontam, ainda, que alterações no DNA de embriões que serão implantados, podem trazer riscos ao desenvolvimento dos bebês. Em diversos países, como Estados Unidos, a prática é proibida. "É um avanço verdadeiramente inaceitável", declarou Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia e uma das inventoras da tecnologia utilizada pelo cientista chinês. 

Em conferência realizada na terça-feira, 27, He defendeu que as crianças foram beneficiadas com a modificação genética. "Necessitam dessa proteção visto que hoje não existe vacina contra o HIV", disse. O experimento teria sido feito com oito casais voluntários, nos quais os homens eram soropositivos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.