Kim Cheung/AP Photo
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Cientista chinês afirma que mais uma mulher engravidou após edição genética

He Jiankui alega ter alterado DNA de embrião antes de implantá-lo na mãe; também diz ter criado primeiros bebês geneticamente modificados do mundo, mas ainda não apresentou provas

Associated Press

28 Novembro 2018 | 13h12

HONG KONG - O cientista chinês He Jiankui, que afirma ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados da história, anunciou nesta quarta-feira, 28, que outra participante do experimento está grávida. Antes da gestação, o embrião teria passado por uma modificação no DNA para impedir que a criança contraia o vírus HIV.

O anúncio ocorreu durante uma conferência internacional em Hong Kong. No domingo, o cientista havia anunciado pelo YouTube que duas bebês gêmeas nascidas a cerca de um mês haviam passado pelo mesmo experimento genético

He é professor associado da  Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, de Shenzhen. Há dois dias, a instituição declarou desconhecer o experimento e decidiu suspendê-lo até 2021. O experimento também é investigado pela Comissão Nacional de Saúde da China.

Na conferência, He defendeu que as crianças foram beneficiadas com a modificação genética. "Necessitam dessa proteção visto que hoje não existe vacina contra o HIV", disse. O experimento teria sido feito com oito casais voluntários, nos quais os homens eram soropositivos. 

O cientista também foi criticado por cientistas e universidades. O presidente da conferência, David Baltimore, vencedor do prêmio Nobel, disse que o caso expõe a "carência de autorregulação da comunidade científica devido à falta de transparência".

Cientistas apontam, ainda, que alterações no DNA de embriões que serão implantados, podem trazer riscos ao desenvolvimento dos bebês. Em diversos países, como Estados Unidos, a prática é proibida.

"É um avanço verdadeiramente inaceitável", declarou Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia e uma das inventoras da tecnologia utilizada pelo cientista chinês. 

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