THE BIG BANG THEORY Panel at Comic-Con 2013/Reprodução YouTube
THE BIG BANG THEORY Panel at Comic-Con 2013/Reprodução YouTube

Físico pop, Stephen Hawking fez participação em seriados, filmes e até músicas

Uma das participações mais recentes foi em 2012, no seriado americano The Big Bang Theory

O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 12h08

O físico teórico britânico Stephen Hawking, que morreu nesta quarta-feira, 14, aos 76 anos, participou de filmes, seriados, desenhos animados e comerciais. Pelas aparições na TV e até em músicas emprestando sua voz, desde a década de 1990, o físico é considerado um cientista pop.

Uma das participações mais recentes foi em 2012, no seriado americano The Big Bang Theory. Hawking conversa com Sheldon Cooper, o personagem principal, em The Hawking Excitation, no último episódio da 5ª temporada. O cientista participou interpretando a si mesmo.

Em desenhos animados, ele emprestou sua voz e versão ilustrada em The Simpsons, Family Guy e Futurama. O cientista também emprestou a voz para a música Keep Talking, da banda Pink Floyd, no disco The Division Bell. 

Além das aparições em filmes, seriados e até canções, dois documentários foram feitos sobre a vida do cientista: A Brief History of Time (1991) e Hawking (2013).

A cinebiografia mais recente sobre o cientista britânico foi lançada em 2014: The Theory of Everything (em português, A Teoria de Tudo). O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme. O ator Eddie Redmayne, que interpretou o físico, recebeu o prêmio de melhor ator. A obra é baseada em Travelling to Infinity: My Life with Stephen, livro de memórias de Jane Hawking, ex-mulher do físico. ​

Seu primeiro livro a se tornar popular foi Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros, lançado em 1988. Na obra, Hawking procurou divulgar ao grande público questões fundamentais sobre o nascimento e a morte do Universo. Desde então, o cientista publicou vários outros livros de divulgação, como O Universo em uma Casca de Noz, O Fim da Física, Os Gênios da Física: Sobre os Ombros de Gigantes e Uma Brevíssima História do Tempo.

Mesmo sem poder movimentar o corpo ou falar durante a maior parte de sua vida, por conta de uma grave doença degenerativa, o cientista deu contribuições importantes à Física, especialmente com seus trabalhos sobre as origens e estrutura do Universo, que ajudaram a entender o papel dos buracos negros.

Hawking nasceu em Oxford, na Inglaterra, em 8 de janeiro de 1942, no mesmo dia em que a morte do astrônomo italiano Galileu Galilei completava 300 anos. Formado em Física na Universidade de Oxford, tornou-se pesquisador da Universidade de Cambridge, em cosmologia - a ciência que estuda o Universo em sua totalidade, envolvendo sua origem e sua evolução.

​Aos 21 anos, em 1963, Hawking foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA). De acordo com os prognósticos médicos, ele não teria tempo suficiente para terminar seu doutorado: a previsão era de apenas mais dois anos de vida. Surpreendentemente, ele não apenas concluiu sua tese, como mais tarde ajudou a revolucionar seu campo de estudos.

Rara doença degenerativa, a ELA paralisa gradualmente os músculos do corpo, mas não atinge as funções cerebrais. Aos poucos, Hawking foi perdendo todos os movimentos e a fala foi se tornando cada vez mais difícil.

Em 1985, após uma visita à sede da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), na Suíça, precisou fazer uma traqueostomia após contrair uma pneumonia. A partir dali, perdeu a voz completamente. Imóvel em uma cadeira de rodas, Hawking passou a se comunicar com um sintetizador de discurso construído em Cambridge e combinado a um software que gera uma voz eletrônica. O físico controlava o sistema movimentando músculos da bochecha. Uma versão mais recente do dispositivo permite que os movimentos de seus olhos sejam rastreados para gerar as palavras.

​Descobertas

Nos anos em que se dedicou a estudar as leis fundamentais que governam o cosmos, Hawking propôs que se o Universo teve um início - o Big Bang -, provavelmente terá um fim.

Trabalhando com o cosmólogo Roger Penrose, ele demonstrou que a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein leva a concluir que o espaço-tempo, iniciado no Big Bang, chegaria ao fim com os buracos negros. A tese implica que a teoria de Einstein e a teoria quântica devem estar conectadas - algo controverso até hoje.

Utilizando as duas teorias, em 1974, Hawking teorizou que, por causa dos efeitos quânticos, os buracos negros não são totalmente "negros", mas deveriam emitir um tipo de radiação, contradizendo a ideia de que nada poderia escapar desses corpos celestes. 

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A ideia de Hawking partia do princípio de que, graças ao caráter aleatório da teoria quântica, não seria possível a existência do vazio absoluto no Universo. Mesmo o vácuo espacial teria flutuações em seus campos energéticos, fazendo com que pares de fótons aparecessem continuamente, destruindo-se mutuamente logo em seguida.

Mas esses “fótons virtuais” poderiam se tornar partículas reais, caso o horizonte de eventos de um buraco negro os separasse antes que eles aniquilassem um ao outro. Assim, um fóton seria tragado pelo horizonte de eventos e o outro seria liberado no espaço. Essa seria a "radiação Hawking", emitida pelo buraco negro.

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Em 2014, Hawking revisou sua teoria de forma surpreendente, ao escrever que "não existem buracos negros". Não existem, pelo menos, da maneira que os cosmólogos os compreendem tradicionalmente. Sua nova teoria descartou a existência de um "horizonte de eventos", o ponto do qual nada pode escapar. Em vez disso, ele propôs a existência de um "horizonte aparente", que seria alterado de acordo com as mudanças quânticas no buraco negro. A teoria permanece controversa.

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