Divulgação/NASA
Divulgação/NASA

Nasa define local de pouso da missão Marte 2020

Cratera Jezero foi escolhida após vencer outros três finalistas; imagens de satélites de Marte sugerem que o local já foi preenchido por um lago

Kenneth Chang, New York Times

20 Novembro 2018 | 11h14

A agência americana Nasa anunciou que enviará seu próximo veículo espacial para um antigo delta fluvial de Marte, local capaz de preservar evidências de vidas passadas – se elas existiram.

O veículo, que deverá ser lançado em julho de 2020, será um clone do Curiosity, nave da agência que já está explorando Marte. O modelo mais recente, no entanto, terá um novo conjunto de instrumentos voltados à busca por carbono e sinais de existência de micróbios no passado. A previsão é de que a nave pouse no planeta vermelho em fevereiro de 2021.

Jezero, uma cratera de 45 quilômetros ao norte do equador de Marte, foi escolhida como local de pouso após vencer outros três finalistas. A análise de imagens tiradas de satélites de Marte sugere que a cratera já foi preenchida por um lago de 243 metros de profundidade. Há também sinais de que rios entravam e saíam do lago. 

Cientistas acreditam que o clima de Marte era mais quente e úmido  –  e possivelmente adequado para a vida  –  há mais de 3,5 bilhões de anos. Depois de considerar 64 possíveis locais de aterrissagem, especialistas recomendaram Jezero como o lugar mais promissor para se explorar. 

"Os lagos da Terra são muito habitáveis ​​e inevitavelmente habitados", disse Kenneth Farley, cientista do projeto da missão, durante uma entrevista coletiva por telefone na segunda-feira. "Então essa é a primeira atração”. O segundo destaque, segundo o cientista, seria a capacidade do delta em preservar bioassinaturas, “qualquer evidência de vida que possa ter existido”.

Farley enfatizou que a nave não está carregando ferramentas para procurar por micróbios vivos, já que a superfície marciana é muito seca, fria e bombardeada pela radiação. A região contém rochas carbonáticas, que poderiam dar pistas de como era o ambiente. E existem rochas vulcânicas, que podem conter elementos radioativos capazes de fornecer palpites mais precisos sobre o período no qual o lago existiu.

O veículo também coletará pedras que um dia serão trazidas de volta à Terra para um estudo mais aprofundado. Essas amostras, no entanto, ficarão em Marte até que uma missão futura as traga, o que provavelmente acontecerá após o início da década de 2030, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria da missão científica da Nasa.

Entre as ferramentas levadas pelo veículo, estarão várias câmeras, uma estação meteorológica, radar de penetração no solo e instrumentos para analisar os minerais e possíveis compostos orgânicos na superfície de Marte. O carro também levará um helicóptero em miniatura para fotografar o terreno.

Outro veículo será lançado para Marte em 2020. O ExoMars, colaboração entre a Rússia e a Agência Espacial Europeia, deverá pousar em Oxia Planum, uma planície no hemisfério norte do planeta que é rica em sedimentos e que parece ter se formado na presença de água. O ExoMars terá uma broca capaz de penetrar cerca de 1, 8 metro abaixo da superfície.

No dia 26 de novembro, a Nasa tentará pousar sua espaçonave InSight em uma planície que os cientistas descreveram como ‘um dos lugares mais chatos de Marte’. Lançado em maio, o InSight estudará o interior do planeta para desenvolver uma imagem clara de sua atividade sísmica e história geológica.

A Nasa também está observando o veículo Opportunity, que foi coberto por uma tempestade de areia de Marte em junho. Se o veículo não responder nos próximos meses, a missão pode ser encerrada.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.