Funcionários da fábrica de vacina do Butantan fazem paralisação

Funcionários da fábrica de vacina do Butantan fazem paralisação

Funcionários cruzaram os braços hoje, em protesto contra a exoneração do diretor Jorge Kalil

Herton Escobar

24 Fevereiro 2017 | 09h03

(Texto atualizado às 19h20)

Funcionários da fábrica de vacina contra a gripe do Instituto Butantan fizeram uma paralisação hoje, em apoio ao ex-diretor Jorge Kalil, exonerado pelo governo do Estado após denúncias de irregularidades na sua gestão. Os funcionários — cerca de 200 pessoas — deram um abraço simbólico na fábrica e fizeram uma manifestação em frente à Secretaria de Estado da Saúde.

Inicialmente, a paralisação não tinha hora para acabar. “Enquanto for necessário, a fábrica ficará parada”, disse um funcionário à reportagem. Imagens das câmeras de segurança mostravam a fábrica vazia durante toda a manhã (veja abaixo). Normalmente, a fábrica funciona 24 horas.

Um pouco antes do almoço, alguns representantes do movimento foram recebidos pelo secretário da Saúde, David Uip. E no início da tarde, os funcionários voltaram ao trabalho.


O grupo pedia a manutenção de Kalil como diretor e “a apuração de todas as irregularidades, se de fato houver alguma”, disse o funcionário. Na conversa, segundo o Estado apurou, ficou claro que Uip não voltaria atrás na decisão de exonerar Kalil; e chegou-se a um acordo para retomar o funcionamento da fábrica, de modo a não prejudicar o calendário de vacinação — o que poderia ser entendido como uma ameaça à saúde pública. O Butantan fabrica quase que 100% das vacinas de influenza usadas no País (mais de 50 milhões de doses), e a produção da fábrica é de 270 mil doses/dia.

Kalil nega qualquer irregularidade e diz ser vítima de inveja e de uma disputa de poder. Pesquisadores do instituto e de outras organizações científicas também protestaram fortemente em seu favor ontem. Internamente, o afastamento de Kalil é visto como uma interferência política na instituição. Até um site foi criado para defender a permanência do médico na direção do instituto, destacando as conquistas de sua gestão.

Apesar de todas as denúncias de má gestão e irregularidades que o governo apontou para justificar seu afastamento, Uip e o governador Geraldo Alckmin elogiaram Kalil publicamente e disseram querer que ele continue à frente do projeto de desenvolvimento da vacina da dengue — um dos projetos mais importantes da ciência paulista. “É um contrassenso que só serve para atestar a idoneidade do Prof. Kalil”, ironizou um pesquisador do instituto.

O imunologista Kalil foi substituído pelo hematologista Dimas Tadeu Covas, cuja nomeação foi publicada hoje no Diário Oficial do Estado.

Funcionários da fábrica de vacina da influenza dão abraço simbólico na fábrica. Foto: Divulgação/via Estadão

Funcionários da fábrica de vacina da influenza dão abraço simbólico na fábrica. Foto: Divulgação/via Estadão

Imagens de câmeras de segurança mostram interior da fábrica de vacina da gripe vazio. Foto: Divulgação/via Estadão

Imagens de câmeras de segurança mostram interior da fábrica de vacina da gripe vazio. Foto: Divulgação/via Estadão

Imagens de câmeras de segurança mostram interior da fábrica de vacina da gripe vazio. Foto: Divulgação/via Estadão

Imagens de câmeras de segurança mostram interior da fábrica de vacina da gripe vazio. Foto: Divulgação/via Estadão

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